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Distrito Federal

Lula cresce eleitorado e bolsonarismo perde votos no DF em relação a 2022

No DF, Lula ganhou 95 mil votos em relação ao segundo turno de 2022, enquanto Flávio Bolsonaro deixou de herdar 61 mil votos do pai

31/10/2026 02:23
Arte/Metrópoles
Ilustração mostra montagem de imagens de Lula e Flávio Bolsonaro - Metrópoles

Apesar da vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais no Distrito Federal, os resultados mostraram uma curva crescente do eleitorado do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se no segundo turno de 2022 a família Bolsonaro dominava a capital com ampla margem, a disputa direta de 2026 registrou um avanço do petismo.

No segundo turno de 2022, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro conquistou 1.041.331 votos no Distrito Federal, alcançando 58,81% dos votos válidos. Quatro anos depois, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), obteve 979.542 votos no segundo turno de 2026, somando 54,28%. A variação representa uma perda de 61.789 votos em termos absolutos e um recuo de 4,53 pontos percentuais na preferência do eleitorado brasiliense.

No caminho inverso, Lula ampliou seu alcance na capital federal. Em 2022, o candidato do PT teve 729.295 votos (41,19% dos válidos) no DF. Em 2026, a candidatura à reeleição alcançou 825.224 votos, subindo para 45,72%. O ganho foi de 95.929 novos eleitores em comparação ao pleito anterior.

O avanço também foi expressivo na comparação interna do próprio pleito de 2026: entre o primeiro e o segundo turno, Lula saltou de 675.627 para 825.224 votos no DF, um incremento de quase 150 mil votos na capital.

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O movimento de rearranjo de forças no Distrito Federal já havia dado os primeiros sinais logo no primeiro turno de 2026. Em 2 de outubro de 2022, Jair Bolsonaro liderava no DF com 910.397 votos (51,65% dos válidos), abrindo uma vantagem de 260.863 votos sobre Lula, que marcava 649.534 votos (36,85%).

Já no primeiro turno de 2026, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 909.616 votos (51,31%) — registrando um recuo de 781 votos e de 0,34 ponto percentual em relação ao desempenho do pai em 2022. No mesmo trecho da disputa, Lula cresceu para 675.627 votos (38,11%), encurtando a vantagem da oposição no 1º turno de 14,80 para 13,20 pontos percentuais.

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Mobilização e voto crítico

Para o analista político e advogado Melillo Dinis, a redução da margem da direita e o avanço de Lula decorrem de uma combinação de fatores que vão além da simples militância partidária.

“Houve mobilização, mas também voto de centro, voto pragmático e resistência a Flávio. Nem todo mundo que vota em Lula adere à esquerda. Há quem o escolha por comparação, pela avaliação do governo ou para impedir a vitória do adversário. A urna registra a escolha, mas não entrega uma declaração de amor junto com o comprovante”, pontua Dinis.

O analista ressalta ainda os limites do apelo do sobrenome Bolsonaro. “A transferência eleitoral não funciona como herança em cartório. Isso sugere limites na capacidade de Flávio de reproduzir a votação paterna”, destaca, lembrando contudo que o DF segue sendo majoritariamente conservador e que houve redução de vantagem, não inversão da maioria, já que a direita venceu na capital pela segunda eleição consecutiva.

Transferência de votos para Grass

O candidato de Lula ao Governo do Distrito Federal (GDF), Leandro Grass (PT), não conseguiu herdar 86.094 votos do presidente reeleito. Para o especialista político, a explicação é de que as eleições para o governo local obedecem a lógicas diferentes para angariar votos do eleitor.

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Flávio Bolsonaro discursou em sua casa no Lago Sul (DF) após o resultado das eleições de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), iniciou sua caminhada para o segundo turno em Ceilândia
Flávio Bolsonaro e Lula
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Flávio Bolsonaro e Lula

Renato Pizzutto/Band
Flávio Bolsonaro discursou em sua casa no Lago Sul (DF) após o resultado das eleições de 2026
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Flávio Bolsonaro discursou em sua casa no Lago Sul (DF) após o resultado das eleições de 2026

FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), iniciou sua caminhada para o segundo turno em Ceilândia
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), iniciou sua caminhada para o segundo turno em Ceilândia

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

“A candidatura local precisava convencer também quem aceitava Lula na Presidência, mas ainda tinha dúvidas sobre a alternativa para o GDF. A fotografia com o presidente rende material de campanha. A confiança para governar precisa ser construída aqui”, destacou Melillo.

O especialista entende que o crescimento de votos é um sinal, não uma tendência consolidada para o futuro. “É um sinal, não uma tendência consolidada. O DF é mais disputável do que a imagem de uma fortaleza inexpugnável da direita sugere. Mas voto em Lula não vira automaticamente voto permanente na esquerda”, ressaltou o especialista.

Votação por zona eleitoral

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetiu o cenário do primeiro turno em que venceu em apenas duas Zonas Eleitorais (ZEs) do Distrito Federal, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato petista manteve as vantagens nas Asas Sul e Norte, com 52,36% e 56,33%, respectivamente.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve seus maiores percentuais em Taguatinga, com 59,45%, e Samambaia, com 58,59%. Além disso, venceu em todas as outras ZEs da capital.

A maior alta percentual de Lula entre os dois turnos ocorreu na ZE de Santa Maria. Na região, o candidato petista passou de 36,17% no primeiro turno para 45,19% no segundo, representando um avanço de nove pontos percentuais.