Luiz Estevão vira réu por improbidade no caso da reforma na Papuda

Além do político, três ex-gestores do sistema penitenciário integram a ação que tramita na 1ª Vara de Fazenda Pública do DF

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Complexo Penitenciário da Papuda
1 de 1 Complexo Penitenciário da Papuda - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

A 1ª Vara de Fazenda Pública recebeu a denúncia de improbidade administrativa feita pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e tornou réus o ex-senador Luiz Estevão, o ex-subsecretário do Sistema Penitenciário Cláudio Magalhães, o ex-coordenador-geral do Sistema Penitenciário João Helder Feitosa, e o ex-diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP) Murilo da Cunha.  Eles são acusados de promover reforma no bloco 5 do CDP e em um galpão do Complexo Penitenciário da Papuda sem autorização do Poder Público.

Segundo o Ministério Público, os ex-gestores do sistema penitenciário permitiram que o ex-senador financiasse a reforma do espaço que hoje ele ocupa na condição de apenado. A situação, segundo os promotores de Justiça, beneficiaria ainda outros políticos, empresários e policiais condenados.

Em sua decisão, publicada na terça-feira (1º/8), a juíza substituta Cristiana Torres Gonzaga destacou: “… é certo que as obras realizadas no bloco 5 asseguraram aos presos ali acomodados a preservação dos direitos inerentes à dignidade humana e que tais condições são merecidas por todos os detentos, devendo a administração pública esforçar-se por alcançar o mesmo patamar de qualidade aos demais custodiados”. Questionou, porém, a utilização dos recursos que teriam sido doados pelo ex-senador.

“Se houve doação de recursos e a reforma era necessária em todos os blocos, em princípio revela-se necessário o avanço do processo para que se observe o atendimento dos princípios que devem pautar a atividade administrativa”, argumentou.

Denúncia
Na peça, ajuizada em 5 de agosto de 2016, o MP relata as circunstâncias de ocupação do complexo e faz comparações entre as alas dos blocos penitenciários. “As reformas seguem um padrão arquitetônico e de acabamento que destoa das demais unidades”, pontua a ação de improbidade.

O documento cita, por exemplo, a existência de vasos sanitários, chuveiro elétrico e pias de louças no bloco 5. Ao mesmo tempo em que mostra a existência de cela no bloco 1 em condições desumanas, onde os presos se amontoam e fazem suas necessidades fisiológicas em brechas entre os colchões espalhados pelo chão.

Os promotores que assinam a ação ainda pediram a indisponibilidade dos bens dos acusados, levando em conta dano moral coletivo e multa: Cláudio Magalhães (R$ 4.209.944,16), João Helder (R$ 2.681.511,40), Murilo da Cunha (R$ 3.135.676,14) e Luiz Estevão (R$ 4.209.944,16). A juíza Raquel Mundim Moraes Oliveira Barbosa, da 1ª Vara da Fazenda Pública, porém, não acatou a solicitação do MP.

O outro lado
O ex-senador, que cumpre pena desde 8 de março de 2016, prestou depoimento no âmbito desta ação de improbidade em 27 de julho do ano passado. Na ocasião, ele confirmou que fez as reformas e que teria atendido a um pedido do falecido ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Segundo Luiz Estevão, Thomaz Bastos, que representava à época os interesses de medalhões do PT, estava preocupado com a situação dos réus envolvidos no processo do Mensalão, uma vez que a condenação daqueles petistas era dada como certa e não havia um local considerado por ele adequado para o cumprimento da pena no Distrito Federal.

Luiz Estevão disse ao MP que todos os custos, estimados em R$ 70 mil, foram pagos posteriormente por Thomaz Bastos em espécie, durante dois encontros que tiveram em São Paulo. O empresário afirmou às autoridades que ele autorizou a compra “exclusivamente de areia, tijolos e cimento”, material utilizado, segundo contou, em duas obras: a de um galpão, hoje usado como arquivo do complexo, e a construção de paredes de alvenaria na ala B do bloco 5.

O ex-senador nega que tenha se beneficiado e justifica que atendeu ao pedido de Thomaz Bastos por uma relação de gratidão e amizade, intensificada durante o processo de sua cassação do Senado Federal.

As melhorias realizadas nas instalações do bloco 5 não são novidade para o Ministério Público, que, em novembro de 2014, esteve no local com uma equipe de promotores para fotografar e filmar o espaço. As imagens embasaram o pedido de extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Na época, o MP utilizou o material como argumento para mostrar às autoridades italianas que havia no Brasil um presídio em condições de receber o cidadão condenado pela Justiça brasileira.

O Metrópoles não conseguiu contato com a defesa dos outros três denunciados.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?