Lazer ilhado: cercas no Parque da Cidade impedem acesso de pedestres
Frequentadores apontam enormes distâncias entre as entradas do parque e as paradas de ônibus, um obstáculo para quem vai a pé
atualizado
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Frequentadores do Parque da Cidade relataram ao Metrópoles um sentimento de isolamento ao tentar acessar o interior do parque após o novo cercamento do local. A estrutura de cercas, que soma 15 mil metros lineares em chapa galvanizada, acompanha toda a extensão do espaço e, devido às dimensões do parque, tem dificultado principalmente a entrada de pedestres.
A obra começou a ser executada em outubro de 2025 pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) em parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer (SEL-DF).
O cercamento substitui uma estrutura antiga instalada em 1978, que cobre toda a extensão do equipamento público, desde a Asa Sul, passando pelo Eixo Monumental, até o Viaduto do Sudoeste.
Veja:
Considerado o maior parque urbano da América Latina, o Parque da Cidade ocupa uma área de 420 hectares e recebe, em média, 790 mil visitantes por mês. Moradores do Distrito Federal, do Entorno e turistas costumam visitar o local.
Apesar da grande circulação de público, frequentadores relatam dificuldades no acesso após as mudanças.
Para o funcionário público William Saldanha, 63 anos, as grades não cumprem o objetivo de garantir segurança e ainda dificultam a circulação de visitantes de outras regiões.
“O problema da grade é o acesso pra quem vem de fora. Se o acesso estiver muito longe, você tem que andar pra caramba”, comenta William.

O funcionário público William Saldanha, de 63 anos, é morador da Asa Sul
Distância para quem vai a pé
Ele lembra que já enfrentou dificuldades semelhantes para entrar no parque quando morava no Guará (DF), antes mesmo da ampliação das entradas ao longo dos anos.
“Tinha que ficar procurando as vias de acesso. Na verdade, nós tínhamos quatro grandes entradas aqui. Com o passar do tempo, aumentou o número de passagens de quatro para seis. Antes, a única opção para quem estava longe do acesso era pular a cerca”, relembrou.
A fisioterapeuta Isabeli Abrantes, de 37 anos, moradora de Taguatinga, costuma praticar corrida no Parque da Cidade. Para ela, a nova configuração transmite a sensação de restrição de acesso, sobretudo para quem usa o transporte público.
“A sensação para quem vem a pé é de que o acesso está mais difícil. No final de semana, que dá pra vir de ônibus e o transporte é gratuito, fica complicado acessar as passagens que ficam distante das paradas de ônibus”, afirmou Isabeli.

Segundo ela, o acesso a outros pontos exige deslocamentos ainda maiores. Na prática, a distância desestimula quem tenta chegar ao parque a pé.
Ela observa ainda que a medida de segurança cria uma exclusão para frequentadores do espaço.
“Não dá pra descer lá no Sudoeste e vir andando porque o parque já tá quase todo cercado”, aponta Isabeli.
Para o aposentado José Donizete Silva, de 69 anos, o cercamento tem mais impacto visual do que prático na segurança do parque.

Estética x segurança
“Tem o lado estético, mas tenho dúvidas quanto à segurança. Para ser seguro mesmo, acho que o parque teria que ser trancado e ter mais vigilância interna para inibir casos de violência”, observou José.
Ele reforça que a presença das grades não impede completamente o acesso e levanta dúvidas sobre a efetividade da medida.
Apesar de frequentar o parque de carro, José reconhece que o acesso para pedestres e ciclistas deveria ser melhor planejado. Ele comenta que os pontos de passagem deveriam estar próximos às paradas de ônibus para facilitar o deslocamento.
A SEL-DF informou ao Metrópoles que o cercamento tem como objetivo reforçar “a segurança e a preservação do espaço público, coibindo acessos irregulares e contribuindo para a proteção dos frequentadores”.
Em relação à dificuldade relatada pelos pedestres, a pasta afirmou que todas as “entradas oficiais do parque permanecem abertas e acessíveis ao público, sem prejuízo à circulação”.













