Justiça proíbe Amazon de manter funcionários em pé por até 12 horas
Investigação do MPT apurou que funcionários tinham que movimentar caixas de até 22 quilos. Amazon tem 15 dias para corrigir irregularidades
07/10/2026 02:59

O Ministério Público do Trabalho (MPT) determinou que o complexo logístico da Amazon, localizado em Santa Maria, no Distrito Federal, faça adequações nas jornadas de trabalho dos funcionários. A decisão, proferida nessa terça-feira (6/10), impede que cerca de 1,4 mil trabalhadores permaneçam em pé por turnos de até 12 horas.
Segundo a investigação, os funcionários precisavam mover pesos de até 22 quilos e permaneciam em pé por longas horas. O MPT também apurou que os intervalos eram reduzidos pelas filas dos controles de segurança, além de impedir o descanso semanal em períodos de maior demanda, como na Semana do Consumidor e o Prime Day.
Com a decisão, a empresa deve assegurar pausas de 10 minutos a cada 90 minutos de trabalho em pé e adequar as escalas aos limites de oito horas diárias e 44 horas semanais. A Amazon ainda deve garantir descanso semanal após, no máximo, seis dias consecutivos de trabalho e evitar convocar ou pressionar empregados a trabalhar nas folgas.
O MPT ainda assegurou que os intervalos sejam de 1 hora para refeição e de 15 minutos para lanche e que estes sejam contabilizados apenas após a liberação das filas de detectores de metais e do registro de ponto. A empresa tem 15 dias úteis, a contar da ciência da decisão, para implementar as determinações da Justiça.
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Ver todasA Ceva Logistics, operadora que atua no complexo da Amazon, chegou a pedir a revisão das medidas e apresentou um acordo firmado com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadoria em Geral (Conamm) para justificar as escalas. No entando, o juiz Claudinei da Silva Campos, da Vara do Trabalho do Gama, considerou o instrumento inválido, pois existe sindicato representativo da categoria em atuação no DF, com negociações em curso com a empresa.
Em momento posterior, a Conamm reconheceu a legitimidade do sindicato local e comunicou à operadora a invalidade do acordo. O juiz manteve as medidas e a multa de R$ 10 mil por dia e por obrigação descumprida, com limite de até R$ 200 mil.
A reportagem procurou a Amazon e não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.



