Justiça nega prisão domiciliar a filha de ex-deputado federal presa pela PF

Para o magistrado, a liberdade da acusada poderia colocar em risco às investigações

atualizado 01/10/2021 22:26

mulher loiraReprodução

O Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO) negou o pedido da filha do ex-deputado federal Nilton Balbino (PTB), conhecido como Nilton Capixaba, de prisão domiciliar. Natielly Karlailly Balbino, 35 anos, foi presa em 17 de setembro, acusada de integrar uma organização criminosa que enviava grandes quantidades de cocaína de Rondônia para outras unidades da Federação.

No pedido feito à 2ª Vara Criminal do TJRO, Natielly pediu a substituição da prisão temporária sob o argumento de que é mãe de dois filhos menores de 12 anos de idade que dependem dos cuidados dela. No entanto, para o magistrado Adriano Lima Toldo, que julgou o pedido da defesa, a liberdade da filha de Nilton Capixaba poderia colocar em risco o andamento das investigações. A decisão foi assinada na última sexta-feira (24/9).

“A liberdade da ora requerente nesse momento da investigação policial lhe confere inteira possibilidade ‘de ocultar e destruir provas que eventualmente digam respeito à sua participação e dos demais membros nas ações da organização, assim como de aliciar ou intimidar testemunhas que tenham condições de contribuir com a apuração dos fatos, podendo atuar para dificultar ou frustrar as investigações e esconder ou se desfazer de eventuais bens e coisas que sejam produtos dos crimes praticados pela organização e dos quais eventualmente tenha posse ou domínio’, circunstâncias que concretamente evidenciam o perigo que a sua liberdade representa à investigação no momento”, escreveu o juiz.

Em relação aos filhos da acusada, o julgador afirmou que eles não se encontram completamente desassistidos, o que indica que a presença física da mãe não é completamente necessária. “Reporto-me ao fato de que a ora requerente contratou uma babá para cuidar dos filhos e também de auxiliar a sua mãe, avó materna das crianças, que seria portadora de doença cardiológica”, afirmou Toldo.

A filha do deputado Nilton Capixaba é investigada no âmbito da Operação Carga Prensada, deflagrada em 15 de setembro. Além de enviar a droga, a suspeita é que a facção Comando Vermelho comprava cargas de maconha do Mato Grosso do Sul para distribuir no Norte do país.

Natielly Balbino teve joias, dinheiro e equipamentos eletrônicos apreendidos durante a ação da PF. As provas serão analisadas para identificar de que forma ela atuava no esquema criminoso. A operação, desencadeada em Rondônia, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, cumpriu 45 mandados de prisão e 63 de busca e apreensão.

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Crimes na família

Em abril de 2018, o então deputado federal Nilton Capixaba foi condenado por corrupção passiva a 6 anos, 10 meses e 6 dias em regime semiaberto. Ele foi o terceiro parlamentar detido autorizado a trabalhar na Câmara dos Deputados durante o dia e voltar à noite para a Papuda. Na época, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes atendeu ao pedido da defesa do deputado para continuar trabalhando na Câmara durante o dia.

Antes de Capixaba, o mesmo já havia ocorrido com Celso Jacob (MDB-RJ) e João Rodrigues (PSD-SC). Capixaba foi condenado por fazer parte da chamada “Máfia das Sanguessugas”, que fraudava licitações e desviava recursos de emendas parlamentares que deveriam ser destinadas à compra de ambulâncias, para beneficiar a empresa Planam.

O caso foi descoberto em 2006, e Capixaba virou réu cinco anos depois, em 2011. Na época em que o esquema foi descoberto, a PF estimou que a Máfia das Sanguessugas movimentou aproximadamente R$ 110 milhões.

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