Justiça do DF nega soltura de técnica que matou pacientes na UTI
No pedido de habeas corpus, defesa alegava que não houve fundamento para a prisão e que a técnica Amanda é mãe de uma menina de 9 anos
atualizado
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A Justiça do Distrito Federal negou a soltura da técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa (foto em destaque), de 28 anos, presa por participação em três homicídios de pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Caso não fosse atendido o pedido de soltura, a defesa de Amanda solicitou também a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar, mas o pedido também foi negado pelo desembargador.
O advogado de Amanda chegou a alegar que não havia fundamento para a prisão e que houve cerceamento de defesa, tornando a prisão ilegal.
“Nesse ponto, o cerceamento de defesa atinge patamares alarmantes: como pode a defesa refutar a participação da Paciente se não lhe é facultado sequer ler a decisão que fundamentou a prisão? O mandado de prisão e a decisão interlocutória que o precede são inexistentes nos autos para a defesa, operando-se uma custódia “no escuro”. Uma prisão baseada em ilações e sem indícios robustos — ou, pior, cujos indícios a defesa é impedida de conhecer — é, por sua própria natureza, ilegal”, disse a defesa.
Outro ponto usado pela defesa da técnica para endossar o pedido de habeas corpus foi o fato de Amanda ser mãe de uma menina de 9 anos que necessita dos seus cuidados.
Na decisão, o juiz disse que não há como concluir que houve restrição indevida do direito de acesso do advogado aos elementos de prova materializados no inquérito policial.
“Conquanto não se saiba os fundamentos para a prisão temporária, os fatos investigados são gravíssimos — três homicídios qualificados cometidos em hospital particular por técnicos de enfermagem que ministraram às vítimas medicamentos não prescritos que foram a causa
da morte dessas”, disse o desembargador.
O magistrado também argumentou que a defesa não provou que a presença de Amanda é imprescindível. Com todos os argumentos, o juiz negou a liminar de soltura.
Trabalho durante a pandemia
Amanda Rodrigues de Sousa atuou no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), por oito dias, em 2020, durante a pandemia de Covid-19.
“O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) confirma que a técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa compôs o quadro de funcionários da unidade em 2020, trabalhando no HCB pelo período de oito dias”, informou a unidade de saúde.
A convocação foi feita para os técnicos de enfermagem que haviam feito o processo seletivo. O chamado ocorreu em 20 de março de 2020, período em que o Distrito Federal vivia estado de emergência em razão do vírus da Covid-19.
A técnica de enfermagem também se apresentava nas redes sociais como “mãe e cristã”.
Ela costumava publicar vídeos e fotos com sua filha pequena e repostava vídeos de música gospel e pregações de líderes religiosos.
Amanda também afirmava ser intensivista e instrumentadora cirúrgica, duas especializações que exigem formação técnica e são voltadas para trabalhar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Entenda o caso
- A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com o apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
- A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
- As investigações tiveram um novo avanço na última quinta-feira (15/1), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
- Nesta etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia
Presos
Os técnicos de enfermagem presos sob acusação de matar ao menos três pacientes dentro da Unidade de Terapia Intensivo (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva.
O Metrópoles apurou que o trio, detido pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), teria matado João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios; Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos. A motivação do crime ainda é investigada.
O caso foi denunciado às autoridades pelo próprio hospital, após observar circunstâncias atípicas relacionadas aos três na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
A PCDF confirmou que o trio, detido pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), teria matado João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios; Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos. A motivação do crime ainda é investigada.
A investigação deverá indiciar os suspeitos pelos crimes de homicídios dolosos qualificados com impossibilidade de defesa da vítima, podendo pegar de 9 a 30 anos de prisão.






