*
 

Quase um ano após o acidente responsável por tirar a vida de Cleusa Maria Cayres e Ricardo Clemente Cayres, mãe e filho, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) realizou a audiência de instrução para ouvir dois réus da tragédia. Um dos suspeitos no caso – o qual ficou conhecido como Racha da L4 Sul –, o advogado Eraldo José Cavalcante Pereira, 35 anos, confirmou que dirigia a 110km/h, conforme apontado em laudo da Polícia Civil.

Os dois motoristas foram indiciados pelos crimes de duplo homicídio doloso e dupla lesão corporal dolosa, já que outros dois passageiros do carro atingido no suposto racha também ficaram feridos. Além de Pereira, o juiz Paulo Rogério Santos Giordano ouviu o sargento do Corpo de Bombeiros Noé Albuquerque.

O primeiro a ser ouvido foi o bombeiro. Noé negou que estivesse disputando pega com o advogado. Ambos estavam em uma festa a bordo de uma lancha, no lago Paranoá.

O militar confirmou que ingeriu bebida alcoólica em pequena quantidade. “Fizemos apenas um brinde, por volta de 14h, e deixamos o local entre 18h e 19h”, disse. Noé afirmou que estava a cerca de 300 metros de distância quando ocorreu a colisão entre o Jetta de Eraldo e o carro onde estava a família.

 

O advogado contou uma versão semelhante à do militar. Eraldo disse, no depoimento, que seguia pela faixa central da L4 Sul quando passou para o lado esquerdo da via, momento no qual atingiu o carro das vítimas, ao tentar fazer uma ultrapassagem. O réu afirmou que, após a batida, o sistema de airbag do veículo foi acionado e o capô do automóvel levantou, bloqueando sua visão. “Descalço e sem celular, deixei o local do acidente e corri para um ponto de táxi, onde pedi ajuda”, contou.

A tragédia
O acidente ocorreu por volta das 19h30 de 30 de abril de 2017, um domingo. Testemunhas afirmam que a Land Rover Evoque de Noé e o Jetta de Eraldo estavam emparelhados, em alta velocidade, na via.

Segundo Eraldo, ele teria perdido o controle do Jetta e atingido o Fiesta onde estavam quatro pessoas da mesma família. A força foi tanta que o carro das vítimas capotou. A traseira do veículo ficou completamente destruída. No banco de trás, devidamente presos ao cinto de segurança, estavam Ricardo e sua mãe, Cleusa. Para eles, não houve tempo de socorro: morreram após o impacto.

Após a sessão desta terça (10/4), será feita a audiência de pronúncia. Nessa fase, o juiz decidirá se o caso continuará no Tribunal do Júri ou será enviado para alguma vara.