PCDF conclui inquérito e suspeito de matar Noélia seguirá preso

Documento mostra locais por onde assassino passou com a vítima. Informações foram confirmadas por policiais com ajuda de sistemas do Detran

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atualizado 08/11/2019 16:41

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu o inquérito que investiga o feminicídio da vendedora Noélia Rodrigues de Oliveira, 38 anos. O documento foi enviado, nesta sexta-feira (08/11/2019), ao Tribunal do Júri de Águas Claras. O suspeito do crime é Almir Evaristo Ribeiro (foto em destaque), vizinho da vítima. Ele está preso desde o fim de outubro e teve prisão temporária convertida em preventiva pela Justiça.

Na terça-feira (05/11/2019), o Metrópoles revelou detalhes do inquérito policial que apura a morte da vendedora. A investigação revela com precisão os últimos passos dela e do homem apontado como autor do crime. A hora e os locais por onde o suspeito passou foram confirmados pelos policiais com a ajuda de sistemas do Departamento de Trânsito (Detran) e serviram para embasar a conversão da prisão do homem de temporária para preventiva.

As provas, segundo o relatório final da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), não deixam dúvidas de que o operador de máquinas pesadas executou a vendedora com um tiro no olho, na noite de 17 de outubro, em um terreno baldio no Assentamento 26 de Setembro.

De acordo com a apuração, Noélia foi trabalhar normalmente, como sempre fazia, em uma loja no Brasília Shopping, na Asa Norte. Pouco antes de encerrar o expediente, por volta das 22h, ela ligou para o marido, Marcos Paulo Mendes Santana, para informar que estava finalizando a jornada de trabalho.

Imagens captadas por câmeras de segurança registraram que a vendedora estava em frente ao McDonald’s localizado às margens da Via N1, em frente à Torre de TV, às 22h08, quando Noélia embarcou em um veículo. Às 22h24, o celular dela perdeu o sinal. O cadáver da vendedora foi encontrado apenas no dia seguinte, às 11h47, em um local conhecido como Cana do Reino.

Ao longo das apurações, os agentes e delegados identificaram que o carro dirigido por Almir, um Chevrolet Cruze, foi visto se deslocando em circunstâncias de tempo e local compatíveis com o desaparecimento da vítima. Segundo informações obtidas por sistemas do Detran, na noite de 17 de outubro, entre as 20h28 e as 20h30, o veículo foi localizado circulando pela Via Estrutural no sentido Ceilândia-Plano Piloto.

Duas horas depois, entre 22h18 e 22h23, o Cruze foi flagrado novamente, desta vez fazendo o trajeto de volta pela mesma Via Estrutural, então no sentido Plano Piloto–Ceilândia.

De acordo com depoimento de uma mulher que trabalhava com Noélia, na noite do crime ela convidou a amiga para irem embora juntas, mas a vítima recusou, afirmando que voltaria para casa de carona.

“Segundo a testemunha, a vítima apresentava comportamento irritadiço e constantemente olhava o celular. Além disso, há filmagens indicando que Noélia embarcou em um veículo por volta das 22h08, horário compatível com o deslocamento do investigado para a região onde ela trabalhava”, aponta o inquérito.

O crime

Noélia foi encontrada morta no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires. De acordo com peritos do Instituto de Criminalística (IC) que analisaram o local do crime, a vendedora levou um tiro à queima-roupa no rosto.

No início das apurações, o Metrópoles teve acesso a informações que faziam parte do laudo preliminar sobre o feminicídio e havia adiantado que o disparo feito próximo à face de Noélia indicara que ela poderia estar dentro de um veículo, supostamente usado pelo autor do crime – o que se confirmou posteriormente.

O enterro foi realizado em 20 de outubro. Ela tinha três filhos: dois meninos, de 16 e 5 anos, e uma garota, de 9. Noélia era a caçula de 14 irmãos. Um deles, Odemar Oliveira Guedes, 42, veio do Tocantins para o enterro.

Em 24 de outubro, a Polícia Civil prendeu Almir. Os agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão na casa dele, que fica em frente à residência de Noélia. O suspeito deverá permanecer detido até o julgamento. Preso preventivamente, ele está encarcerado no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda.

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