Juíza cria grupo no WhatsApp para acelerar negociação trabalhista no Gama
Os valores foram acertados pelo aplicativo e assinados no dia seguinte pelos advogados. A audiência presencial durou apenas 10 minutos
atualizado
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Um grupo no WhatsApp se transformou em mesa de negociações de um processo trabalhista na 1ª Vara do Trabalho do Gama. Em vez de uma longa e estressante audiência para firmar acordos e valores entre as partes envolvidas no processo, a juíza Tamara Gil Kemp reuniu todo mundo em um grupo para que propostas e contrapropostas fossem feitas ali mesmo, por meio do aplicativo, antes da audiência presencial.
A negociação virtual ocorreu em novembro. No grupo, a juíza juntou os advogados das duas partes e mediou a negociação dos valores do acordo trabalhista. Em poucas horas, o martelo foi batido. Fosse pelo trâmite tradicional, apenas essa audiência levaria mais de um mês para ser agendada.
“No Gama, os processos levam entre 30 e 45 dias para terem audiências marcadas. Como são três de uma vez só, isso pode levar horas, porque às vezes precisamos chamar testemunhas, e o procedimento atrasa”, explica a advogada Iara Barbosa, uma das participantes do processo tecnológico, no qual representou a reclamante.
No dia seguinte, os advogados se encontraram na audiência presencial apenas para assinar os papéis. A sessão foi aberta às 8h37 e encerrada às 8h47. Em exatos 10 minutos, processo resolvido.
Além da praticidade para todos os interessados — quem processa, quem é processado, advogados e juízes —, a advogada diz ainda que a solução tecnológica diminui o estresse envolvido na ação. “Você não precisa ir até o fórum, é mais rápido, menos penoso. É toda uma cadeia de benefícios”, ressalta Iara. O caso, pioneiro no DF, foi inspirado em iniciativas semelhantes da Justiça de em São Paulo.
A advogada diz que tem a intenção de, pelo menos nos processos nos quais está envolvida, continuar adepta das conciliações por WhastApp. Para tanto, é preciso que todos os envolvidos estejam de acordo com o procedimento e que, posteriormente, tudo seja homologado pelas vias normais por um juiz. Dessa forma, não existe empecilho legal ou ético.
Embora a experiência high tech tenha sido feita em um processo trabalhista, a advogada acredita que a iniciativa pode ser estendida a outros litígios judiciais.





