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Acusado de assassinar a companheira, Arlete Campos Oliveira, com uma facada no abdômen e dormir ao lado do corpo da mulher morta, Alexon Bezerra Rocha, 33 anos, teve prisão preventiva decretada durante audiência de custódia realizada na quarta-feira (7/11).

Na decisão, o juiz substituto Gabriel Moreira Carvalho Coura, da Vara Criminal e Tribunal do Júri do Recanto das Emas, destaca que “as circunstâncias em que o crime foi praticado, na residência do casal, indicam gravidade a ponto de justificar a medida extrema” — no caso, o pedido de sua prisão.

Alexon permaneceu algemado durante toda a audiência. O juiz justificou a decisão alegando “número insuficiente de policiais e a retirada das algemas seria capaz de comprometer a segurança e a integridade física daqueles que estão presentes em sala”.

O magistrado defende investigação “mais profunda do fato criminoso”, no entanto, ressaltou que os depoimentos das testemunhas e as ocorrências registradas pela mulher contra Alexon, por violência doméstica, asseguram “indícios suficientes da autoria criminosa”.

Reprodução/Facebook

O crime
Alexon foi preso pela Polícia Militar acusado de matar a Arlete na Quadra 803 do Recanto das Emas. Segundo o delegado-chefe da 27ª DP, Pablo Aguiar, o marido assassinou a mulher com uma facada no abdômen e dormiu ao lado do corpo. O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira (5).

Pela manhã, o suspeito avisou a filha da mulher, de 13 anos, que a companheira estava morta. “Eles foram em um forró à noite. Por volta das 2h, marido e mulher discutiram. Testemunhas contaram que os gritos só cessaram na madrugada”, ressaltou o delegado.

À filha, o homem disse que a mulher poderia ter se matado ou sido assassinada por alguém que teria entrado na residência. Mas as versões não se sustentaram.

De acordo com a sargento da PM Rosana Assis, que efetuou a prisão, o acusado acionou a corporação para ir até o local. “Chegando lá, constatamos que o ambiente do crime não condizia com o que ele falava. Alexon dizia que a mulher teria se matado.”

A sargento Rosana conta que Alexon “chorava, mas não saíam lágrimas”, e o corpo “estava mexido”. “Ela estava deitada em uma posição diferente. O local do ferimento foi limpado por ele”, afirmou.

O homem acabou detido pela policial e encaminhando para a 27ª DP. Mais tarde, durante varredura, a arma do crime, uma peixeira, foi encontrada debaixo do armário, suja de sangue e enrolada em uma camiseta. Alexon, no entanto, nega a acusação.

“Quem vai cuidar de mim?”
Durante o enterro da mãe, a filha mais nova de Arlete, de 12 anos, estava inconsolável e desabafou: “Quem vai cuidar de mim?”. A adolescente foi a primeira a tomar conhecimento da morte da mãe, quando seu padrasto abraçou e disse que a companheira teria cometido suicídio.

Arlete foi enterrada na terça (6), no cemitério de Taguatinga, com uma bandeira do Flamengo, seu time do coração. Durante a cerimônia de despedida, familiares e amigos fizeram uma oração e pediram justiça.

A sobrinha da vítima de feminicídio, Ester Oliveira, 18, disse que a família sabia das agressões e a aconselhava a se afastar de Alexon. “Meu irmão frequentava a casa dela. Quando não estava roxa, estava brigando com ele. Por algum motivo, ela gostava dele e não queria se separar”, relatou.