DF: homem que fez namorada refém tem prisão preventiva decretada

Durante audiência de custódia, neste domingo, o juiz ressaltou que os crimes cometidos por José Messias "são de extrema gravidade"

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atualizado 12/01/2020 15:00

A Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante do tatuador José Messias Alves, 37 anos. Em audiência no Núcleo de Custódia, neste domingo (12/01/2020), o juiz substituto Felipe Figueiredo de Carvalho considerou o histórico criminal do réu, acusado de agredir a namorada durante 15 dias e mantê-la em cárcere privado desde 31 de dezembro até a última sexta-feira (10/01/2020), em Ceilândia.

“O autuado é reincidente, ostentando condenações definitivas por delitos de roubo e homicídio, sendo que teria, em tese, cometido o delito em análise quando ainda em cumprimento de pena, em gozo de benefício de prisão domiciliar”, pontuou o magistrado.

Durante o julgamento, o juiz ressaltou que os crimes cometidos pelo tatuador “são de extrema gravidade”, uma vez que a mulher foi “submetida a violência e restrição da liberdade por período prolongado”.

O magistrado frisou ainda que o histórico criminal de José Messias “denota a insuficiência de medidas cautelares diversas da prisão na espécie”.

Durante a audiência de custódia, foram deferidas medidas protetivas de urgência para a vítima.

“Muito ciumento”

A jovem torturada e espancada pelo namorado com barras de ferro, em Ceilândia, não consegue esquecer dos momentos de terror vividos em sua própria casa. *Viviane (foto em destaque) foi mantida 11 dias em cárcere privado pelo tatuador José Messias Alves, 37 anos, enquanto era agredida e ameaçada de morte. A vítima falou pela primeira vez após o seu resgate, em entrevista ao Metrópoles, e relatou que a violência começou de forma silenciosa: “Ele aparentava ser um homem normal”, disse.

Segundo ela, as mudanças no comportamento do tatuador começaram após três meses de relacionamento. À época, a jovem nem imaginava que a possessividade de José resultaria nas agressões, físicas e psicológicas sofridas durante 15 dias seguidos, 11 deles trancada em casa.

“Ele era muito ciumento. Não me deixava sair para lugar nenhum. Não gostava nem que eu fosse trabalhar”, relembra ela, amparada por familiares, que têm dado apoio emocional à jovem após o ocorrido.

A balconista foi ameaçada diversas vezes, inclusive com uma faca no pescoço. Era amordaçada com um pano enquanto recebia os golpes de barra de ferro por todo corpo. A jovem ainda carrega as marcas roxas causadas pelo ódio do então namorado.

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Início do relacionamento

A vítima conheceu José no ano passado, no estúdio de tatuagem onde ele trabalhava. Ele tinha uma namorada, com quem estava junto havia seis meses. Após conhecer Viviane, porém, o agressor passou a enviar mensagens para ela, demonstrando interesse e dizendo que tinha terminado o relacionamento.

“Nos conhecemos no trabalho dele. Eu fui fazer uma tatuagem e, depois, começamos a nos envolver. Ele parecia gente boa. […] Com o tempo, começou a se mostrar ciumento com as minhas coisas”, narra.

Apesar de assustada com o comportamento de José, Viviane nunca procurou a polícia nem falou com amigos sobre o jeito controlador do homem. Não por conivência, mas por medo do que ele seria capaz de fazer, caso ela o denunciasse. Foi na véspera de Natal que o agressor mostrou seu lado violento, frio e cruel.

“Eu estava tomando banho e demorei um pouco. Ele começou a reclamar e, do nada, já saiu me batendo”. Os golpes que sofreu começaram por volta das 18h e só cessaram na manhã seguinte. Desde então, a mulher não teve paz.

A vítima trabalha em uma padaria e, no dia após o início das agressões, foi questionada por colegas sobre as marcas em seu corpo. Ela mentiu. “Eu disse que tinha caído, fiquei com medo”, conta.

Em 31 de dezembro, José não deixou Viviane retornar ao emprego. Desde então, a vítima foi mantida em cárcere privado. Foram 11 dias presa dentro da própria casa. O local, que era um ambiente seguro para a jovem, virou uma prisão, onde ela passou a ser agredida diariamente, de várias formas.

*Nome fictício para preservar a identidade da vítima.

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