Justiça de Goiás dá liberdade a golpista que se passou pelo governador Ibaneis
Em audiência de custódia, foi dado ao acusado o direito de responder às acusações livre
atualizado
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O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) concedeu, nesta terça-feira (5/1), liberdade provisória ao homem de 28 anos que foi preso acusado de integrar a organização criminosa que se passou pelo governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), no WhatsApp.
O vigilante de escolta armada, portanto, responderá ao processo em liberdade, uma vez que o TJGO (foto em destaque) não considerou os crimes a ele atribuídos suficientes para justificar a manutenção da prisão.
O homem havia sido pego em flagrante pela Polícia Civil do DF (PCDF) em Goiânia (GO) na segunda (4/1). Outros dois envolvidos, um deles membro de uma facção criminosa, ainda são procurados.
Ex-esposa caiu no golpe
A ex-esposa do governador Ibaneis Rocha (MDB), Luzineide Carvalho (foto em destaque), foi a vítima que transferiu R$ 3,7 mil a um criminoso achando que estava conversando pelo WhatsApp com o próprio mandatário do GDF. Segundo ela contou ao Metrópoles, nunca imaginou que seria um golpe.
“Fui eu mesma. Recebi a mensagem dele dizendo que tinha mudado de telefone e, depois, pediu o dinheiro. Não desconfiei de nada”, explica. Segundo Luzineide, ela encarou o pedido como algo normal. “Ainda enviei o comprovante. Olha só como fui boazinha”, brinca.
Só quando ela recebeu pela segunda vez uma mensagem do mesmo número pedindo mais dinheiro que imaginou tratar-se de uma farsa. “Eu vi um erro de português e uns emojis que ele não usa. Foi aí que eu percebi e liguei pro Ibaneis”, explica.
Ao conversar com o governador pelo telefone, descobriu que tinha caído em um golpe. “Ele disse que não tinha mudado o número. Aí eu disse então para que ele avisasse os contatos, porque o golpista poderia estar fazendo mais vítimas”, detalha.
Luzineide conta que até chegou a acionar o banco para ver se conseguia o valor de volta, mas foi informada que não seria possível. “Já tinham sacado tudo, uma pena”, lamenta.
Facção criminosa
Um dos envolvidos na tentativa de fraude é integrante de uma facção criminosa. A informação foi repassada em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (5/1), pelo delegado da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), Giancarlos Zuliani (foto em destaque). “Já foi condenado e pegou muitos anos de cadeia”, explicou.
O delegado não revelou o nome da facção, mas adiantou que o acusado tem vasta ficha criminal. “Homicídio, tráfico… Somando tudo, dá quase 40 anos”, disse Zualiani.
Apesar de terem sido disparadas várias mensagens, o delegado conta que apenas uma pessoa caiu no golpe ao achar que, de fato, falava com Ibaneis. “Foi feita uma transferência de R$ 3,7 mil. Ao todo, esse homem de Goiânia tinha conseguido, em outros casos parecidos, cerca de R$ 7 mil no dia”, completou o responsável pela investigação.
Quanto aos outros dois envolvidos, o delegado declarou: “Já sabemos onde um mora, fomos até a casa dele ontem, mas não estava”.
Os três bandidos podem responder pelos crimes de organização criminosa e estelionato. “O que já foi preso tem um papel superior, principalmente de pesquisa. Já os outros dois eram recrutadores e criadores de conta”, detalhou Zualiani.
Prisão em Goiânia
“As equipes conseguiram localizar o principal suspeito. Os outros dois já foram identificados e deverão ser presos em seguida. A resposta rápida da PCDF é fundamental para coibir esse tipo de crime”, afirmou o delegado.
Segundo revelado pelo Metrópoles, os criminosos pegaram uma foto do governador na internet, usaram um número de telefone com prefixo 061, do Distrito Federal, e tiveram acesso aos contatos pessoais do chefe do Executivo local.
Com os números em mãos, passaram a enviar mensagens fingindo ser Ibaneis Rocha e pedindo para que fossem efetuados depósitos em uma conta bancária. Familiares do governador chegaram a receber o pedido.
Perguntado sobre o caso na tarde dessa segunda, o governador demonstrou irritação: “É cada bandido…”, indignou-se. No início da tarde, o chefe do Executivo local disparou mensagens aos contatos mais próximos e para os integrantes do Palácio do Buriti, com o intuito de alertar sobre o crime.
“Boa tarde. Um perfil falso foi criado com o meu nome. Estão remetendo mensagens e fazendo pedidos falsos. Recebendo-os, favor desconsiderar”, escreveu. No mesmo texto, o governador encaminha o print da tela com o número usado pelo estelionatário.

Outros casos
Durante o ano de 2020, muitos parlamentares foram vítimas de golpes semelhantes ao aplicado contra o governador do Distrito Federal. Entre eles, os deputados federais Israel Batista (Partido Verde), Carla Zambelli (PSL-SP), Luisa Canziani (PTB-PR) e Filipe Barros (PSL-PR).
Esse tipo de crime segue crescendo na capital federal. Em média, foram três ocorrências registradas por dia, no ano passado.
