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Distrito Federal

Justiça dá 90 dias para GDF regulamentar lei que proíbe carroças

Governo diz que a normatização está em trâmite, mas não há previsão para término do processo

24/10/2019 11:12, atualizado 24/10/2019 12:28
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Tony Winston/Agência Brasília
Carroça

Uma decisão liminar da Vara do Meio Ambiente, proferida em ação pública proposta por entidades de proteção animal, determinou que o Governo do Distrito Federal (GDF) regulamente a Lei nº 5.756/2016 dentro de 90 dias. A ordem dispõe da proibição do uso de animais em veículos de tração, como carroças e carruagens. A desobediência resulta em multa de R$ 10 mil por dia de atraso, limitada ao valor de R$ 10 milhões.

Entre os argumentos expostos pela ONG de defesa animal ProAnima, estão trabalho excessivo e alimentação e hidratação inadequadas e insuficientes.

Também incluem uso de animal ferido, prenhez avançada, submissão de animal jovem ou doente ao trabalho e peso excessivo de carga tracionada. E mais: castigo, espancamento e mutilação, exposição frequente a acidente de trânsito, práticas dolorosas de manejo e abandono de animais doentes.

A ProAnima sugeriu ao governo a regulamentação da lei e a criação de grupo de trabalho composto por órgãos ambientais, de fiscalização e de assistência social, com a participação de ONGs e associações dos carroceiros.

O objetivo é propor alternativas a esse tipo de transporte, contemplando cada segmento, capacitações, alternativas de emprego para os carroceiros que não queiram mais atuar nessa atividade e a destinação dos animais que podem ser abandonados.

O esforço em proibir o uso de transportes por tração animal vem desde 2006, com a criação do projeto Adote um pangaré, com o intuito de encontrar lares responsáveis para os equinos retirados de situações de maus-tratos. No ano seguinte, houve um estudo da Universidade de Brasília (UnB) sobre a destinação de animais mortos destinados ao lixão.

Em 2008, uma representação foi protocolada no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Em 2014, o Projeto de Lei nº 1.804/2014 foi proposto e, em 2016, a proibição virou lei.

Outro lado

Por meio de nota, o GDF informou que o Departamento de Trânsito (Detran-DF) se reuniu com a Secretaria de Agricultura, Polícia Militar e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) a fim de tratar da regulamentação da lei. Segundo o governo, a questão ainda está em trâmite, mas não há previsão de que o dispositivo legal seja normatizado.

O Ibram destacou que vai continuar a fiscalização, sempre que receber denúncias ou verificar maus-tratos aos animais, atribuição prevista na Lei nº 4.060/2007.

Nesse caso, é motivo de punição, multa ou apreensão levar o animal à exaustão, submeter o animal a estresse, fazê-lo trabalhar mais de seis horas sem descanso, privá-lo de alimentação ou água, entre outras condições que atestem o sofrimento. As denúncias podem ser feitas pelo Ouvidoria do GDF, no número 162.

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