Justiça bloqueia R$ 70 milhões de investigados por fraude em plano de saúde

Policiais da Corf analisaram 380 mil movimentações bancárias e fiscais registradas entre 2013 e 2018

atualizado 20/01/2021 10:49

PCDF/Divulgação

A Justiça do Distrito Federal mandou bloquear até R$ 70 milhões em contas de suspeitos que teriam desviado valores milionários de uma empresa de plano saúde. Gestores e funcionários da firma foram alvos da Operação Loki, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), nesta quarta-feira (20/1).

A ação ocorreu simultaneamente no Distrito Federal, em Goiás, Mato Grosso e Rondônia. Na capital federal, buscas foram cumpridas no Setor Comercial Sul, Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Guará, na Asa Norte, em Águas Claras, na Colônia Agrícola Riacho Fundo e no Gama. No total, foram expedidos 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Policiais da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) analisaram 380 mil movimentações bancárias e fiscais registradas entre 2013 e 2018. Segundo a PCDF, diretores, contadores e alguns funcionários do plano de saúde desviaram ilegalmente valores milionários para microempresas vinculadas a amigos e familiares dos próprios dirigentes, sem a existência de contratos formais e emissão de notas fiscais que dessem suporte às transações.

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Uma dos fatos que chamou a atenção dos policiais foi que a microempresa especializada em serviços de chaveiro recebeu pelo menos R$ 3 milhões do plano de saúde de forma fraudulenta.

Outra fraude foi identificada em transações repassadas a uma empresa que trabalha com produção e venda de cana-de-açúcar e produtos agropecuários. Serviços que não estão em consonância com a atividade desenvolvida pela operadora do plano de saúde.

Saiba detalhes da investigação com o delegado Wisllei Salomão, chefe da Corf:

A Corf também identificou o uso de documentos falsos para dar aparência lícita às movimentações efetivadas, bem como a incompatibilidade de movimentações bancárias das pessoas investigadas em relação às atividades profissionais delas. Ou seja, os agentes verificaram que a quantia repassada às empresas privadas era transferida para as contas pessoais dos diretores e funcionários do plano de saúde e que os investigados tinham um padrão de vida incompatível com o salário.

A área de atuação do plano de saúde são as regiões Centro-Oeste e Tocantins. A empresa tem 55 mil associados. O nome da operadora não foi divulgado, pois o caso segue em apuração. Os crimes investigados são falsidade ideológica, falsificação de documentos, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A ação contou com apoio das policiais dos estados e também teve auxílio da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável pela fiscalização dos planos de saúde. Foi a ANS quem identificou as primeiras operações fraudulentas.

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