Juiz determina internação psiquiátrica de jovem que matou a mãe no DF
A decisão pretende proteger a integridade física do acusado devido ao histórico de automutilação e ideação suicida

A Justiça do Distrito Federal ordenou internação psiquiátrica do jovem Vinícius de Queiroz Nogueira Dourado, 23 anos, acusado de matar a própria mãe. O juiz baseou a decisão em um laudo psiquiátrico prévio que apontou doença mental grave, risco de suicídio e sintomas severos, como alucinações e tremores, do acusado no ambiente prisional.
A determinação acontece após pedido da Defensoria Pública (DPDF) e do Ministério Público do DF (MPDFT). A decisão pretende proteger a integridade física do acusado devido ao histórico de automutilação e ideação suicida, e estabilizar o quadro clínico do interno.
O juiz esclareceu que o réu não teve a prisão preventiva revogada ou substituída. Juridicamente, os motivos que justificaram a sua prisão preventiva continuam válidos.
“Acrescento que a internação provisória determinada é para necessidade de tratamento em saúde mental no curso de prisão preventiva já em curso, nos termos da Resolução nº 487, de 15/2/2023 do CNJ, que instituiu a Política Antimanicomial do Poder Judiciário”, explicou o juiz.
A direção do estabelecimento prisional deve transferir o réu para uma unidade de saúde adequada e informar ao juiz o local exato da remoção no prazo de 24 horas. Assim que o local for informado, a unidade de saúde terá o prazo de 30 dias para enviar ao juiz um relatório detalhado sobre o estado clínico do paciente.
Em janeiro deste ano, a Justiça do Distrito Federal negou o pedido de falta de internação por ausência de laudo psiquiátrico.
Feminicídio no Guará
O jovem universitário matou a própria mãe a facadas na noite do dia 20 de janeiro, na Rua 10 do Polo de Modas, na QE 40 do Guará II (DF). Ele assumiu para a avó, minutos depois, ter cometido o crime: “Matei a minha mãe”.
Vinícius de Queiroz Nogueira Dourado, 23 anos, era estudante do 5º semestre de Economia na Universidade de Brasília (UnB). Segundo a avó dele, que preferiu não se identificar, o jovem enfrenta uma depressão profunda e era displicente com os medicamentos. “Passava alguns dias sem tomar”, disse.
Segundo ela, Maria Elenice de Queiroz, 61, chegou à casa por volta das 20h30, deixou a bolsa sobre a mesa da sala e foi ao quarto ver o filho, como era de costume. “Aí eu ouvi uns gritos, depois de 1 minuto. Mas pensei que pudesse ser a menina do andar de baixo, que costuma gritar enquanto brinca com o irmão. Foi quando ele saiu do quarto e falou: ‘Eu matei a minha mãe com uma faca’”, detalha a familiar.
Vinícius foi preso em flagrante pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Segundo a PM, ele estava sentado no sofá de casa quando os militares entraram no apartamento da família. O estudante demonstrou frieza. “A polícia subiu e, quando chegou à porta, deu de cara com o autor, tranquilo no sofá”, comenta o tenente Ricardo.

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