Investigação sobre ajuda a Lázaro continua: “Atuava como jagunço e segurança”

Segundo o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, disse que "vamos continuar atrás de outros suspeitos"

atualizado 28/06/2021 12:24

Rodney Miranda dá entrevista sobre Caso Lázaro BarbosaRafaela Felicciano/Metrópoles

“As investigações não acabam aqui. Ainda temos pessoas para investigar e prender. Agora, sai a força intensiva e fica o trabalho investigativo. Vamos até descobrir todos os envolvidos”, disse o secretário de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), Rodney Miranda (foto de destaque).

Em entrevista nesta segunda-feira (28/6), após troca de tiros e a morte Lázaro Barbosa de Sousa, 32 anos, Rodney Miranda afirmou que o criminoso, tinha uma rede que o acobertava: “Temos informações que ele atuava como jagunço e segurança de algumas pessoas. A questão dele querer fugir, patrocinado, logicamente, mostra que ele tinha uma rede que lhe acobertava. Com gente não interessada na prisão dele.”

Ele foi encontrado com 4,4 mil no bolso. Mais uma prova de que tem gente acobertando ele é dificultando o trabalho das forças policiais”, completou o secretário. Ele também confirmou que a ex-mulher e a ex-sogra foram ouvidas. “Se ficar constatado que queriam facilitar, vão ser indiciadas e até presas.”

De acordo com Miranda, entre as pessoas interessadas a fuga de Lázaro estaria Elmi Caetano, 74 anos, preso na semana passada por esconder o psicopata na chácara dele, em Girassol (GO). O secretário informou ainda que constam mais de 30 crimes associados ao criminoso no DF, em Goiás e na Bahia.

Lázaro foi morto durante confronto com forças policiais na manhã desta segunda, numa mata nas imediações da casa da ex-sogra, em Águas Lindas (GO), após 20 dias de fuga.

Após o confronto no matagal, Lázaro ainda chegou a ser socorrido e levado a uma viatura do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. Imagens obtidas pelo Metrópoles  mostram o momento em que o maníaco chega à unidade policial em uma maca.

Veja o vídeo do momento em que Lázaro chega de maca ao hospital:

 

Ao ser cercado, Lázaro teria dito aos policiais: “Eu vou morrer, mas vou levar vocês”.

Aplausos

Os policiais que participaram da caçada ao criminoso durante 20 dias foram aplaudidos na base da força-tarefa. As pessoas ainda soltaram fogos em comemoração ao término das buscas ao foragido.

“Estamos felizes demais. Foram 20 dias de angústia. Sem dormir. Preocupados. Eles são guerreiros. Merecem todo o nosso apoio pela dedicação. Agora é hora de comemorar”, disse Larissa Alves, 34, moradora da região.

“Gostaríamos de que ele fosse pego vivo. Ele precisava esclarecer os outros crimes. De qualquer forma, estamos aliviados. Esperávamos que fosse capturado o mais rapidamente possível. Estávamos acuados. Agora teve desfecho”, Cristiane Soares, 39, comerciante da região.

Confira imagens da movimentação em Águas Lindas de Goiás após a captura de Lázaro:

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Veja fotos das operações em Goiás:

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Veja a cronologia do crime:

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Além de ser suspeito de matar uma família no DF, Lázaro é acusado de atirar em quatro pessoas, entre elas um policial, e cometer uma série de assaltos com reféns durante a sua fuga em Goiás.

Desde que saiu do DF, Lázaro trocou tiros duas vezes com a polícia e também com o caseiro de uma chácara em Areia Branca, fazendo uma família refém.

Chacina

Lázaro é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O crime ocorreu na madrugada de 9 de junho, no Incra 9, em Ceilândia.

O corpo de Cleonice foi encontrado dias depois, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070.

Desde que matou a família Vidal, Lázaro vem entrando e saindo de propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais, baleando três pessoas em um deles, além de um policial. Em Goiás, ele tem se escondido na região entre Girassol, Edilândia e Cocalzinho, Entorno do DF.

Família Vidal:

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Ficha criminal

A vida criminal de Lázaro começou em 2008. Na época, ele foi preso por um duplo homicídio em Barra do Mendes, município baiano que fica a 540 km de Salvador. Ele é natural da cidade.

Segundo a Polícia Civil baiana, o criminoso foi indiciado pelos assassinatos de José Carlos Benício de Oliveira e Manoel Desidério Silva, no povoado de Melancia. O inquérito, concluído e enviado à Justiça, aponta que ele atingiu as vítimas com disparos de espingarda e depois fugiu, apresentando-se dias depois na unidade policial. Após a prisão, ele acabou fugindo para o Centro-Oeste.

No DF, chegou a ser condenado por roubo e estupro. Mas, também, conseguiu fugir do sistema penitenciário em 2016.

A capacidade de fuga de Lázaro já é velha conhecida da polícia e do sistema prisional goiano. Em julho de 2018, ao tentar escapar junto de outros cinco detentos do presídio de Águas Lindas (GO), no Entorno do Distrito Federal, ele foi o único que obteve êxito.

Lázaro foi preso no dia 8 de março de 2018, por suspeita de assassinatos ocorridos na Bahia, além de estupro, roubo e porte ilegal de armas no DF. Ele tinha, na época, três mandados de prisão em aberto.

A ausência dele entre os internos do presídio de Águas Lindas só foi sentida no momento de recontagem dos detentos, após a ação policial no local. No entanto, a essa altura, ele já estava longe.

A fuga ocorreu durante a madrugada, por volta das 2h, de 23 de julho de 2018, segundo a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária de Goiás (DGAP).

Personalidade violenta

Laudo psicológico feito no âmbito de um dos processos contra Lázaro Barbosa, em 2013, constatou que o homem tem características de personalidade violenta, como agressividade, ausência de mecanismos de controle, dependência emocional, impulsividade e instabilidade emocional.

Ainda de acordo com os psicólogos que assinam o documento ao qual o Metrópoles teve acesso, o criminoso tem possibilidade de “ruptura do equilíbrio, preocupações sexuais e sentimentos de angústia”.

O autor, segundo os especialistas, teve o desenvolvimento psicossocial prejudicado devido a agressões familiares, uso abusivo de álcool e drogas, falecimento familiar, abandono das atividades escolares, trabalho infantil e situação financeira precária.

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