Após acordo, indígenas deslocam acampamento para o Teatro Nacional

Movimento começou em frente ao Congresso e foi levado para imediações do Teatro Nacional, nesta quarta-feira (24/04/2019)

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 24/04/2019 15:13

Pelo menos 1 mil indígenas ocupam a Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira (24/04/2019). Eles participam da 15ª edição do Acampamento Terra Livre. A Polícia Militar acompanha o ato, que é pacífico.

A princípio, os índios ocuparam o gramado em frente ao Congresso Nacional. Mas após negociarem com a a Polícia Militar, eles se deslocaram para as imediações do Teatro Nacional.

O Departamento de Trânsito (Detran-DF) informou que manterá duas viaturas na região central para garantir a fluidez nas vias, caso seja preciso interditar faixas. Os agentes do órgão estão responsáveis pelo tráfego na N2 e S2, e a PMDF, pela N1 e S1. O evento é organizado pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil e segue até o fim de semana.

Segundo Hawaty Arfer Jurum Tuxá, uma das lideranças e membro da Associação dos Povos Indígenas do Brasil, a remoção do acampamento de frente ao Congresso Nacional foi após um acordo com o governo.

O ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz, deve abrir a agenda para receber lideranças indígenas. A expectativa é que 4 mil índios participem do movimento, que pede a continuidade da demarcação de terras indígenas, entre outras demandas.

“Segundo o ministro, o governo está empenhado em possibilitar o acesso direto dos indígenas aos diferentes órgãos federais, sem intermediários, a fim de ouvir problemas e capturar sugestões, esclarecer e fazer todo o esforço para solucionar os desafios e melhorar as condições de vida dos brasileiros indígenas”, afirmou o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, em coletiva de imprensa nessa terça-feira (23/04/2019).

Na última semana, o ministro da Justiça e Segurança Nacional, Sergio Moro, publicou portaria no Diário Oficial da União (DOU) autorizando o uso da Força Nacional na Esplanada dos Ministérios por 33 dias, como medida preventiva a protestos e manifestações na área central da capital da República.

Moro atendeu um pedido do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Guilherme Theophilo, além do Acampamento Terra Livre, o governo quer usar a Força Nacional para atuar em eventuais manifestações de movimentos sociais, como o chamado Abril Vermelho, realizado em todo o país pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) para cobrar a reforma agrária, entre outras reivindicações.

Mas nesta quarta-feira (24/04/2019), a Força Nacional não está de prontidão na Esplanada. A segurança está sendo feita pela Polícia Militar do DF, inclusive com o uso de helicóptero da corporação.

A convocação da Força Nacional desagradou os manifestantes, que avisam. “Não viemos de tão longe pra quebrar vidraça. Nossa preocupação não é afrontar”, garantiu Arfer. O líder indígena acrescentou que muitos integrantes de tribos viajaram mais de 15 dias para chegar até o Distrito Federal, incluindo idosos e crianças.

“Estamos sentindo, desde o momento que saímos de nossas bases, que há um clima muito hostil contra nós. Sobretudo no nível político”, ressaltou Arfer. Ele ressaltou ainda que os atos de vandalismo cometidos no ano passado, durante o Acampamento Terra Livre, foram ações isoladas, “sem relação alguma com o movimento”.

Por conta da manifestação, homens da Tropa do Comando Militar do Planalto reforçam a segurança e vigiam todas as entradas do palácio desde as 8h desta quarta-feira (24/04/19).

Apesar de a Secretaria de Comunicação do Planalto dizer que o reforço é “normal em dia de manifestações”, a quantidade de militares no palácio chama a atenção. Os indígenas protestam na Esplanada em meio a uma forte tensão com o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Com colaboração de Luciana Lima e informações da Agência Brasil

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