Indicado à presidência do Iges-DF defende volta de cartão corporativo: “Vamos corrigir”

Na análise do militar, apesar das recentes polêmicas, o instrumento é necessário para manter cirurgias e salvar pacientes

atualizado

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Vinícius Santa Rosa/Metrópoles
Hospital de Base
1 de 1 Hospital de Base - Foto: Vinícius Santa Rosa/Metrópoles

Indicado para assumir a administração do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), o general Gislei Morais de Oliveira, passou por sabatina na Câmara Legislativa (CLDF) nesta segunda-feira (20/9). Durante as perguntas, o militar defendeu a volta do cartão corporativo, objeto de polêmicas e denúncias.

Os distritais mostraram preocupação com problemas flagrados no instituto. A exemplo de suspeitas de desvios, transferência de servidores, falta de insumos, desassistência de pacientes e imbróglios trabalhistas e contratuais.

Parte dos parlamentares criticou o cartão corporativo do Iges-DF. Os deputados cobraram os relatórios de auditoria em contratos. Outra preocupação é com a crescente dívida do instituto, que superou a marca de R$ 340 milhões.

Os parlamentares ainda pediram posicionamento sobre a Operação Ethon, feita pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDF) para apurar possível superfaturamento em contratação emergencial de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).

Cartão corporativo

O general foi responsável pela criação do cartão corporativo, alvo de polêmicas recentemente. Neste sentido, ele ser normal a falta de insumos em hospitais. E a proposta inicial é evitar o desabastecimento.

Mas o cartão foi usado para a compra de alimentos e viagens. O ex-presidente do Iges-DF Gilberto Occhi suspendeu o instrumento. Mas Morais defende a volta do cartão, dentro um modelo com foco nos insumos. “Não é cartão corporativo. É suplemento de fundos. Eu na vida toda recebia suplemento de fundo quando saia em missão”, argumentou. O general citou o exemplo da falta de uma pomada para a realização de uma operação.

Outro lado do cartão

“Vamos ver quantas cirurgias foram feitas? Quantas vidas foram salvas com o uso correto (do cartão corporativo)?”, questionou o general. “Se não tiver o instrumento ágil para fazer esse tipo de compra, o instituto pode suspender cirurgias e, de repente, alguém falecer por falta de um pequeno insumo”, reforçou.

Segundo o militar, a versão inicial não era para todos os gestores. Ficava restrita as unidades com necessidade, seguido por um processo de prestação de contas. Além disso, o indicado defende o instrumento com um limite de gastos.

“Houve erro? Houve. Então vamos corrigir. Não podemos matar todas as ideias como alguém fez o uso indevido, como os senhores (os deputados) estão dizendo”, concluiu.

Morais de Oliveira pretende analisar e melhorar a prestação de tratamento para pacientes com câncer, marcada por longa fila atualmente. “Precisamos melhorar o fornecimento de insumos”, pontuou.

O militar indicado para o Iges-DF prometeu combater a crise de desabastecimento. “É preciso saber comprar. Comprar corretamente. E não deixar faltar. Mas tudo começa com planejamento”, argumentou.

Dívida

Sobre a dívida, o general foi direto: “Só tem uma maneira de pagar a dívida. É gastar menos”, resumiu. Mas, neste caso, o general destacou que os cortes não podem causar danos aos pacientes. O general destacou que o Iges-DF precisa ter um fundo de reserva no caso de demissão de celetistas. Os últimos cálculos apontavam a necessidade de R$ 300 milhões.

Sobre os questionamentos no modelo de seleção do Iges-DF, alvo de auditorias, o militar sinalizou providências para corrigir eventuais falhas, mas destacou que não existe sistema perfeito. O general não demonstrou interesse em devolver servidores para a Secretaria de Saúde. “Eu pessoalmente não tenho nenhuma intenção de devolver estatutários”, explicou. “Vamos analisar caso a caso”, completou.

Arguição

A sabatina foi feita pela Comissão de Educação, Saúde e Cultura (Cesc), presidida pela deputada distrital Arlete Sampaio (PT), com participação de Rodrigo Delmasso (Republicanos), Leandro Grass (Rede), Jorge Vianna (Podemos) e Guarda Janio (Pros).

O nome do general foi aprovado por Guarda Janio, Delmasso, Jorge Vianna e Arlete Sampaio. Grass rejeitou a indicação.

Agora, o nome do general deverá passar por votação no plenário da CLDF para poder assumir efetivamente a gestão do Iges-DF.

O general foi superintendente do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF). Também ocupou o posto de superintendente de Administração e diretor de Planejamento do Iges-DF.

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