Idosa que infartou ao ser acusada de furto em atacadista do DF recebe alta

Ela passou quase duas semanas internada e precisou passar por um cateterismo

atualizado 14/12/2020 17:08

Milta de Jesus OliveiraArquivo pessoal

Quase duas semanas após ter sofrido um infarto por causa de uma acusação de furto de chinelo no Atacadão Super Adega, no Jardim Botânico, a idosa Milta de Jesus Oliveira, 75 anos, teve alta nesta sexta-feira (11/12) do hospital onde estava internada.

Inicialmente, ela estava no Hospital Universitário de Brasília (HUB), onde passou por um cateterismo. Como precisava fazer muitos exames, a idosa foi transferida para uma unidade particular, procedimento que foi custeado pelo supermercado.

Milta é hipertensa e controlava a pressão com uso de remédios. A paciente chegou a ser atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião e foi transferida, na madrugada de segunda-feira (30/11), para o hospital da Universidade de Brasília (UnB). Relatório médico indicou um infarto agudo do miocárdio.

Não houve crime, diz PCDF

A 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) concluiu que o caso envolvendo Milta não representa qualquer prática criminosa. Segundo a corporação, a situação deve ser tratada na esfera cível, caso a família peça algum tipo de reparação.

Os investigadores ouviram familiares e foram até o atacadista em 1º de dezembro. Para a polícia, houve apenas uma falha por parte dos funcionários do estabelecimento. A ocorrência foi registrada na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como “calúnia” e “crime contra idosos”.

“Analisamos as imagens de circuito interno do mercado e, após exaustivas investigações, concluímos que não houve a prática de crime por parte de qualquer funcionário do Super Adega. Na verdade, ficou demonstrado que não houve dolo, a intenção deliberada desses funcionários em ofender a honra dessa senhora. Tudo não passou de um mal entendido”, explicou o delegado do caso, Ulysses Fernandes.

Assista ao vídeo do delegado explicando o caso:

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Entenda o caso

Antes de sofrer o infarto, a aposentada estava acompanhada de familiares. Quando eles foram passar as compras no caixa, ela foi surpreendida com o comportamento dos funcionários.

“Após passar todas as compras, cujo valor foi mais de R$ 600, em tom de voz alterado e audível para todos os outros clientes que estavam na fila ouvirem, faz-lhe o seguinte questionamento: ‘A senhora vai pagar essas sandália que furtou também?’”, relembrou a neta Grazielle Oliveira.

Nervosa, a aposentada tentou explicar que aquele chinelo que calçava era um presente. Falou que é uma mulher honesta e que nunca furtou ou roubou nada de ninguém. Segundo os familiares, a funcionária do caixa chamou um dos seguranças. A equipe queria que a mulher provasse que as sandálias, da marca Havaianas, não era produto de furto.

“Após ser acusada de furto e todo o escândalo armado pela funcionária do caixa e a grosseria dos seguranças desse atacadão, ela começou a se sentir mal. A pressão subiu. Jamais pensou que nesta idade seria vítima de tamanha injustiça e desrespeito”, completou Grazielle.

Depois da discussão, o gerente do local, segundo relato das testemunhas, se desculpou, afirmando que a idosa era muito parecida com uma suspeita de furtar sandálias no local. Além da Polícia Civil, a família, que mora em São Sebastião, denunciou o caso à Ouvidoria do Super Adega. O atacadista adiantou-se em pagar tratamento médico e psicológico para a vítima.

Ao Metrópoles, a equipe jurídica da Super Adega confirmou os fatos e ressaltou que foi oferecido um leito no Hospital Daher ou no Hospital Santa Luzia, mas como surgiu uma vaga na rede pública, a família optou pela transferência para o HUB.

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