Ibram suspende nova fase do Taquari por ameaça ao Lago Paranoá

Órgão acatou recomendação do Ministério Público, que apontou a possibilidade de danos causados pelo empreendimento ao reservatório

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

MICHAEL MELO/METRÓPOLES
taquari
1 de 1 taquari - Foto: MICHAEL MELO/METRÓPOLES

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) suspendeu a licença de instalação do Trecho 2, Etapa 1, do Setor Habitacional Taquari, no Lago Norte. A decisão é fruto de uma recomendação expedida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O órgão pretendia evitar a urbanização sem a resolução de pendências ambientais que podem causar impactos negativos ao Lago Paranoá. Além da licença, a autorização de supressão vegetal do empreendimento também foi suspensa.

A ampliação do Setor Taquari é executada pela Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap). No parecer que embasa a decisão, o Ibram solicita à estatal a apresentação de informações e estudos para provar, em tempo de crise hídrica, a viabilidade ambiental do empreendimento, considerando os múltiplos usos do Lago Paranoá.

Segundo o órgão, além de diluir esgotos, as águas do lago passaram a abastecer a população, o que não ocorria na década de 1990. O MPDFT aponta ainda que o novo setor recebeu licença prévia antes de definidas as soluções de abastecimento, drenagem pluvial e esgotamento sanitário. Mais de 20 anos depois, os órgãos competentes decidiram que os esgotos tratados e a drenagem pluvial do novo trecho serão lançados no Lago Paranoá.

Na recomendação expedida pelo MPDFT em outubro, no entanto, a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural (Prodema) sinaliza que as autorizações foram dadas sem estudos para demonstrar a capacidade de o lago diluir mais esgotos e receber mais drenagem urbana contaminada, ao mesmo tempo em que terá água retirada para abastecimento público.

A decisão do Ibram de suspender a licença segue o entendimento do Ministério Público. Segundo a promotoria, estudos mostram que, desde 2015, o Lago Paranoá recebe uma quantidade de fósforo superior à capacidade máxima de diluição e corre risco de eutrofização – proliferação de algas que causa a morte de peixes e torna a água imprópria.

Além disso, segundo o MPDFT, a impermeabilização da área, aliada a um projeto de drenagem pluvial ultrapassado, diminui a infiltração da água no solo, o que pode causar a diminuição da vazão de córregos e o não afloramento de nascentes, prejudicando a quantidade e a qualidade da água disponível no Lago Paranoá.

Irregularidades
O empreendimento está inserido nas Áreas de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central e do Lago Paranoá, e será construído, segundo o MPDFT, sobre uma área de recarga de aquífero da bacia hidrográfica do Rio Paranoá. De acordo com os promotores, apesar da sensibilidade da área e das diversas pendências ambientais existentes, o Ibram expediu licença de instalação, que autoriza a implantação do loteamento, em outubro de 2014, com autorização para o corte da vegetação.

No Estudo de Impacto Ambiental do Setor Habitacional Taquari, destaca o MPDFT, consta que o Lago Paranoá havia chegado ao limite da capacidade de diluição de esgotos. Mesmo assim, a viabilidade ambiental do adensamento urbano foi aprovada pelo Conselho de Meio Ambiente do Distrito Federal em 1998.

Naquela época, a Caesb também desaconselhou qualquer nova ocupação na bacia do Lago Paranoá sem que se reavaliasse ocupação e uso do solo em toda a bacia. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), gestor da APA do Paranoá, manifestou-se contrário ao loteamento e determinou a realização de novos estudos.

Em 2014, a Terracap apresentou uma complementação, indicando que o esgoto seria coletado e tratado na Estação Norte, que lança seus resíduos no Lago Paranoá, apesar de sua capacidade de diluir esgotos estar próxima do limite desde 1997, quando o adensamento da ocupação da bacia do Paranoá foi severamente restringido.

O quadro se agravou com a crise hídrica, situação na qual lançamentos que possam prejudicar a qualidade dos corpos hídricos devem ser restringidos e não aumentados, sobretudo após decisão de que a água do lago também será para consumo humano.

Acionada pelo Metrópoles, a Terracap informou que a suspensão da licença é temporária e que está trabalhando para atender as condições impostas pelo Ibram. Confira a nota da estatal na íntegra:

A Terracap informa que o Ibram suspendeu provisoriamente a licença de instalação do Trecho 2 do Setor Habitacional Taquari, para que a Terracap apresente alguns documentos de atualização de projetos da área. Também solicitou que as concessionárias públicas ratificassem a possibilidade de atendimento dos serviços no setor. A Terracap ressalta que tem buscado atender, no tempo mais breve possível, as condicionantes estipuladas pelos órgãos de proteção ambiental.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?