Hotel Nacional: despejado, Alexandre Frota procura novo teto em Brasília

Deputado federal ainda não decidiu por novo local onde residir quando estiver na cidade e diz que gostava do local onde estava hospedado

atualizado 24/06/2020 22:26

Igo Estrela/Metrópoles

Depois de despejado do Hotel Nacional, na manhã desta quarta-feira (24/06), o ex-ator e deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) continua à procura de um novo local para se hospedar quando estiver em Brasília para as sessões na Câmara dos Deputados. Frota contou ao Metrópoles que não estava no local no momento da desapropriação.

Com elogios ao Hotel Nacional, que era um dos símbolos de glamour da capital federal, o deputado tucano afirmou que vai procurar outro lugar para se hospedar.

“Eu saio muito cedo para Câmara e não estava lá. Mas gostava do simples, charmoso, antigo e nostálgico Hotel Nacional. Passei o ano de 2019 todo lá e desativei o apartamento na pandemia. Voltei a Brasília esta semana apenas para trabalhar na relatoria do projeto de esporte”, conta Frota.

Por morar fora de Brasília, Alexandre Frota tem direito a um apartamento funcional ou ao auxílio moradia, o mesmo com o qual ele pagava as diárias do quarto no Hotel Nacional.

“Hotel não falta em Brasília. Vou escolher outro, experimentar alguns. Espero que os novos donos do Nacional façam uma boa reforma. Quem sabe eu não volte”, afirma o deputado por São Paulo. “Quanto a apartamento funcional é muito grande, não gosto. Fui visitar uns em 2019; não tem bom astral”, comentou.

Despejo

Na manhã desta quarta-feira, os hóspedes do Hotel Nacional foram surpreendidos com a notícia de que precisariam deixar o local. A empresa que venceu o leilão de um dos marcos históricos de Brasília em 2018 decidiu tomar posse do estabelecimento.

Com oficial de Justiça e Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na porta, aqueles que desciam para tomar café da manhã foram avisados de que precisariam deixar os quartos até meio-dia. Quem ainda tinha mais diárias a cumprir poderá ser levado até outro hotel da rede vencedora do leilão.

Um dos que que também perderam o teto foi o ex-deputado federal Roberto Jefferson, preso no processo do Mensalão, que recebeu prazo de até 17h desta quarta para deixar a suíte presidencial e também procura um local definitivo para morar.

Leilão

Em dezembro de 2018, duas empresas de Brasília arremataram em leilão o Hotel Nacional, por R$ 93 milhões. O Grupo Bittar (da família Bittar) e a Luner (construtora dos irmãos Farah), em consórcio, assumiram a operação de um dos mais tradicionais empreendimentos da capital federal.

Pertencente à família Canhedo, o Hotel Nacional foi colocado à venda pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo. A contragosto dos Canhedo, o Hotel Nacional entrou na massa falida da Petroforte Petróleo Ltda., que era credora das empresas de transporte aéreo e terrestre da família.

Inaugurado em 1961, o Hotel Nacional se tornou reduto da alta classe, por onde passaram celebridades, personalidades internacionais e figuras políticas.

A suíte presidencial, por exemplo, que em 1968 hospedou a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, virou residência de um político que protagonizou um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil: o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB), preso em 2014, no processo do Mensalão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O Hotel Nacional tem 10 andares e 347 apartamentos distribuídos em 43 mil metros quadrados. Também estão na extensa lista de hóspedes ilustres: os ex-presidentes dos Estados Unidos Jimmy Carter e Ronald Reagan; o ex-presidente francês Charles De Gaulle; e a ex-primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi; além da atriz brasileira Leila Diniz.

Colaborou Caio Barbieri

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