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Distrito Federal

Hospital troca bebês natimortos, e mãe de um deles enterra feto errado

Fetos foram entregues às mães erradas, e uma delas acabou enterrando a criança sem saber do erro. Advogado acompanha caso

Repórter de Distrito Federal12/04/2025 13:19, atualizado 13/04/2025 19:46
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Rene Terp/Pexels
Imagem colorida de um bebê vestindo fraldas brancas e deitado sobre um lençol branco. Uma mão com uma aliança dourada segura os pés dele

O Hospital Estadual de Águas Lindas de Goiás (Heal) cometeu um erro ao trocar dois bebês que vieram à luz na unidade nas duas últimas semanas de março. Os fetos foram entregues às mães erradas, e uma delas acabou enterrando a criança sem saber do erro.

Entenda o caso

  • Em 21 de março, uma paciente foi ao hospital de Águas Lindas (GO) para dar à luz. O bebê dela tinha apenas 20 semanas e acabou morrendo minutos depois o parto, devido à prematuridade extrema. O feto ficou guardado no freezer da unidade.
  • Quatro dias depois, em 25 de março, outra paciente deu entrada no hospital com o parto já em curso. O bebê dela tinha 26 semanas e foi considerado natimorto pela equipe médica.
  • Em 26 de março, a primeira mãe foi até o hospital para retirar o filho dela, o bebê de 20 semanas. A unidade, porém, acabou entregando o segundo feto, o de 26 semanas, pertencente à segunda mãe.
  • Sem saber do erro, a primeira mãe acabou enterrando o bebê da segunda mãe, ainda em 26 de março.
  • Em 27 de março, a equipe de enfermagem do hospital foi checar os fetos no freezer da unidade e percebeu o equívoco.

Agora, a mulher que enterrou o bebê da outra mãe tenta a exumação para que cada família possa velar os corpos corretos.

Os advogados Idelbrando Mendes e Daniel J. Kaefer, que representam as duas famílias, buscarão responsabilizar os culpados pela troca dos fetos. “Iremos acompanhar o inquérito policial a fim de apurar a responsabilidade objetiva quanto aos danos sofridos pelas famílias”, afirma Idelbrando.

“Além de [as mães] viverem o luto da perda de seus filhos de maneira tão prematura, agora se veem na incerteza de quem e quando poderão enterrá-los”, lamenta o advogado.

Segundo o jurista, o Hospital Estadual de Águas Lindas não vem oferecendo auxílio médico, jurídico ou psicológico. “Ainda não tivemos  nenhum contato oficial com a unidade, nem mesmo as famílias. Não está havendo nenhuma forma de auxílio a elas”, aponta Idelbrando.

Resposta

Em resposta ao Metrópoles, a Secretaria de Saúde de Goiás (SES-GO) informa que acompanha “de perto” o caso, bem como as providências tomadas pelo Hospital Estadual de Águas Lindas de Goiás (Heal).

O Hospital afirma à reportagem que “informou aos familiares e autoridades sobre o ocorrido e prestou todas as informações necessárias, bem como acolhimento e apoio psicossocial com total zelo e transparência”.

A SES-GO finaliza prestando solidariedade às famílias envolvidas. “Todas as medidas necessárias estão sendo tomadas pela organização social para apurar os fatos e garantir o suporte adequado”, assegura.

“A Secretaria permanece à disposição das autoridades para colaborar com os esclarecimentos que se fizerem necessários e reforça que eventuais falhas, caso confirmadas, serão devidamente responsabilizadas”, encerra.

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