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Distrito Federal

Homens lançam drogas e celulares para dentro de cadeia no DF

Só neste domingo de Páscoa, a PMDF prendeu três suspeitos tentando arremessar maconha, celulares e carregadores para dentro do CPP, no SIA

12/04/2020 16:07, atualizado 12/04/2020 17:13
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Google Street View/ Reprodução
Centro de Progressão Penitenciária se Torna um dos principais pontos de tráfico de drogas na cidade

As cercanias do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) ficaram movimentadas nos últimos dias. O local abriga cerca de 1,5 mil presos, alguns deles com acesso a celulares com WhatsApp instalado. Por meio do aplicativo, eles orientam comparsas sobre como atirar porções de drogas por cima dos muros da cadeia situada no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).

Na madrugada deste domingo de Páscoa, por exemplo, a Polícia Militar prendeu três homens. Eles estavam em um veículo e um dos ocupantes foi flagrado arremessando uma sacola com diversos produtos, como três celulares, um carregador, porções de maconha e maços de cigarro.

Todos tinham antecedentes criminais, como passagens por roubo, tráfico, homicídio.

O Metrópoles teve acesso a 65 arquivos de áudio que contêm conversas trocadas entre detentos do CPP e criminosos em liberdade. Os diálogos revelam a facilidade dos internos em conseguir acesso aos aparelhos.

Fora a apreensão deste domingo (12/04), servidores da Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) apreenderam, nos últimos 15 dias, centenas de tabletes de maconha e papelotes de cocaína, além de 50 celulares e chips telefônicos. Todos os itens estavam no pátio ou no telhado da prisão.

Durante a madrugada, as investidas se tornam mais frequentes, o que levou a Sesipe a reforçar a segurança no presídio com homens da Diretoria Penitenciária de Operações Especiais (DPOE).

Em uma das conversas gravadas e descobertas pela polícia, um suspeito em liberdade afirma já saber onde arremessar a droga. “Parceiro, agora peguei a visão da parada. Presta atenção: você quer que jogue para cair do lado de trás da ala C e F, que está reformando, que, no caso, vai ter entulhos na parede. Então, no caso, nem preciso jogar com muita força”, diz o comparsa.

Ouça a troca de áudios entre interno do CPP e um comparsa que está em liberdade:

Melhor horário

O detento, que aguarda o arremesso, orienta o comparsa, inclusive, sobre o momento mais propício para cometer o delito. “Agora é um dos melhores horários. Depois da meia-noite já é mais arriscado, porque eles ficam mais atentos”, diz o interno do CPP na troca de áudios.

Em resposta, o interlocutor pergunta se poderia lançar toda a droga que tinha em mãos. “Eu vou com a maconha que tenho aqui, 350 gramas. Vou jogar tudo para dentro”, diz. O interno rebate de pronto. “O que você tem aí em mãos, você lança.”

Segundo o subsecretário da Sesipe, delegado Adval Cardoso, com os internos do semiaberto encarcerados durante 24 horas, a incidência de flagrantes e as apreensões de droga triplicaram. “Estamos flagrando as tentativas de tráfico quase que diariamente e em grandes quantidades. O volume de pacotes sendo lançados por cima do muro é impressionante. Dobramos a segurança e as medidas para evitar a entrada. Isso se refletiu nas apreensões”, destacou.

Na quinta-feira (09/04), maconha, cocaína, haxixe e crack foram apreendidos. As substâncias, acondicionadas em plásticos, haviam sido atiradas para dentro da unidade.

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Também é comum que pacotes de droga sejam jogados para dentro da penitenciária
O número de apreensão de drogas e celulares é grande
Os presos chegam a pagar entre R$ 150 e R$ 300 para que moradores de rua atirem as drogas para dentro do CPP
Os presos orientam os comparsas a jogarem as drogas para dentro do CPP, sempre antes da meia-noite
Homens lançam drogas e celulares para dentro de cadeia no DF - imagem 6
Servidores da Sesipe chegam a apreender até 10 celulares por dia atirados por cima do muro
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Servidores da Sesipe chegam a apreender até 10 celulares por dia atirados por cima do muro

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Também é comum que pacotes de droga sejam jogados para dentro da penitenciária
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Também é comum que pacotes de droga sejam jogados para dentro da penitenciária

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O número de apreensão de drogas e celulares é grande
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O número de apreensão de drogas e celulares é grande

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Os presos chegam a pagar entre R$ 150 e R$ 300 para que moradores de rua atirem as drogas para dentro do CPP
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Os presos chegam a pagar entre R$ 150 e R$ 300 para que moradores de rua atirem as drogas para dentro do CPP

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Os presos orientam os comparsas a jogarem as drogas para dentro do CPP, sempre antes da meia-noite
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Os presos orientam os comparsas a jogarem as drogas para dentro do CPP, sempre antes da meia-noite

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Moradores de rua
Os internos perceberam que moradores de rua eram uma excelente alternativa, já que aceitam qualquer quantia ou pequenas quantidades de drogas para realizar tal serviço clandestino. A reportagem apurou que alguns receberam até R$ 150 para jogar drogas por cima dos muros do CPP. Eles recebem o pagamento de pessoas próximas aos presos depois que a missão é concluída.

Na próxima semana, a Sesipe espera barrar por completo as tentativas, posicionando homens em pontos estratégicos e reforçando o trabalho de revista feito dentro da unidade.

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