Haitiana cega recebe carteira da OAB-DF e diz: “Meu sonho é ser juíza”

Sobrevivente de dois terremotos no Haiti, Nadine Taleis, 35 anos, se tornou advogada, quer trabalhar na área e passar em concurso da AGU

atualizado

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Filipe Cardoso/ Especial para o Metrópoles
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1 de 1 haitiana cega 2 - Foto: Filipe Cardoso/ Especial para o Metrópoles

As dificuldades enfrentadas por Nadine Taleis, 35 anos, não foram suficientes para que desistisse dos estudos. Agora, ela colhe os frutos de sua dedicação, disciplina e o amor aos livros. Cega, a haitiana se tornou advogada. Na manhã desta sexta-feira (7/12), recebeu a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF), com mais 71 advogados. Durante a cerimônia, anunciou: “Meu sonho é ser juíza”.

Emocionada, Nadine disse estar muito feliz. ”Parece que eu estou em um sonho. Quando cheguei ao Brasil, vivi um pesadelo e agora eu estou acordando”, contou. A advogada sobreviveu a dois terremotos em Porto Príncipe, no Haiti, em 2010. Em seguida, foi morar com os tios na República Dominicana, até decidir se mudar para o Brasil, em 2013.

 

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Ao chegar ao Brasil, morou durante três meses em um abrigo improvisado e superlotado para refugiados e imigrantes no Acre. Dividiu um ginásio com 1,3 mil pessoas e apenas dois banheiros. No mesmo ano, veio para o Distrito Federal com o objetivo de estudar e conheceu seus “pais adotivos” – Carlos e Loide Wanderley.

Foi acolhida e recebeu a ajuda necessária, inclusive financeira, para se dedicar à faculdade Disciplinada e muito determinada, agarrou a chance. “Meu pai haitiano sempre foi muito rígido comigo. Me acordava às 5h para estudar. O dinheiro que a minha mãe dava para eu me alimentar, pagava a faculdade e confesso que, às vezes, cheguei a passar fome porque aplicava toda a quantia nos estudos”, lembrou.

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Haitiana disse que pretende se dedicar ao direito
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O presidente da OAB/DF, Juliano Costa Couto, entregou a carteira da Ordem à Nadine
Nadine morou em abrigos no Acre e, no DF, teve a chance de se formar em direito
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Nadine morou em abrigos no Acre e, no DF, teve a chance de se formar em direito

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Haitiana disse que pretende se dedicar ao direito
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O presidente da OAB/DF, Juliano Costa Couto, entregou a carteira da Ordem à Nadine

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Ela cursou direito na Faculdade Mauá, em Vicente Pires. Conta que pagou as cinco primeiras mensalidades e depois conseguiu uma bolsa integral e um estágio na instituição. Para estudar, ela gravava as aulas e usava um programa de computador que lia os livros. Agora, formada e com a carteira da Ordem, planeja fazer concurso para ingressar na Advocacia-Geral da União (AGU). E sonha voos ainda mais altos: ser juíza.

Durante o discurso na OAB-DF, a advogada, que fala cinco línguas (crioula, francês, espanhol, inglês e português) agradeceu aos familiares, amigos e professoras por todo apoio recebido e aproveitou para fazer uma reivindicação: “Precisamos de acessibilidade para que a gente possa colocar a nossa capacidade a favor da sociedade”.

Nadine recebeu do presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto, um certificado de oradora e dois estatutos de direito em braille. “Nadine tem uma deficiência visual, mas uma visão de mundo maior que a de muitas pessoas”, disse o representante da Ordem no DF.

De imediato, ela busca uma oportunidade de trabalhar em um escritório de advocacia. “Quero dar continuidade aos estudos. Sou muito apaixonada pelo direito”, afirmou a advogada, que ficou praticamente cega com 1 ano de idade, em função de uma catarata. Atualmente, tem apenas 15% da visão.

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