Golpe: empresa do DF faz mais de 40 vítimas com revenda de carro

A Well Motors fechou as portas em janeiro deixando de pagar os clientes. Contra a empresa já foram abertos mais de 30 processos

atualizado 14/01/2020 19:29

Jacqueline Lisboa/Esp. Metrópoles

O dono de uma revendedora de veículos usados da Cidade do Automóvel é investigado por aplicar golpes contra pelo menos 40 clientes. Wellington Cardoso fechou as portas da empresa, Well Motors, e sumiu com o dinheiro da revenda de carros, causando prejuízo estimado em cerca de R$ 1 milhão. Ele é indiciado por estelionato pela 8ª Delegacia de Polícia (SIA), responsável pelo caso.

A maioria das vítimas foi abordada após anunciar os carros na OLX. “Uma moça veio me procurar em nome da empresa, dizendo que ia ter um feirão e me oferecendo o valor que eu estava pedindo”, conta o atendente de sorveteria Marinardo Silva, 51 anos. Ao perceber que se tratava de uma grande revendedora, resolveu confiar e deixou o veículo, um Cross Fox avaliando em R$ 17,5 mil, nas mãos dos revendedores.

A partir de então, começou a dor de cabeça. “Toda vez que entrava em contato, era uma desculpa diferente. Até que resolvi ir lá e para minha surpresa meu carro já havia sido vendido, mas o dinheiro não estava na conta. Por fim, a atendente revelou que a empresa estava sem caixa”. Há quase seis meses, o atendente aguarda o recebimento. Enquanto isso, as contas de casa estão atrasadas. “Vendi o único bem que eu tinha para poder quitar minhas dívidas. Agora, estou sem carro, sem dinheiro e no desespero”, desabafa.

Mais vítimas

A administradora Karenina Alves confiou dois veículos à loja. Precisou vendê-los para morar em Lisboa, para onde se mudou com o marido, no fim do ano passado. Desconfiada da demora, ela foi atrás de informações dos bens e descobriu que um deles estava nas mãos dos novos donos dois dias depois da entrega, enquanto a vendedora dizia o contrário.

“Ficamos muito indignados, sensação horrível de sermos enganados. O dono treina os funcionários para mentir, usa o nome da igreja para conseguir confiança das pessoas”, reclama. Karenina  teve prejuízo de aproximadamente R$ 65 mil somente com um dos carros. O outro foi recuperado por familiares.

Já o engenheiro Bruno Oliveira, 40, continua pagando pelo automóvel que vendeu e não está mais com ele. Quando foi repassado para o comércio, o veículo não estava quitado e o acordo era de que a empresa quitaria as parcelas restantes, além de passar parte do montante recebido pelo novo proprietário. “Eu tive que acionar a Justiça. Enquanto isso, estou pagando as parcelas para não ficar com o nome sujo. Faltam 12 prestações de mais de R$ 1 mil”, diz.

A Well Motors, que ficava na Cidade do Automóvel, acumula mais de 30 processos protocolados junto ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). As vítimas também recorreram à Polícia Civil (PCDF) e há 40 queixas do golpe. O caso começou a estourar logo após a empresa fechar as portas, no fim de dezembro de 2019.

A reportagem foi ao local nesta sexta-feira (10/01/2020). Até mesmo o letreiro foi retirado do local e não há nenhum aviso nas portas. Empresários de outras revendedoras vizinhas lamentam: “Donos desonestos assim só mancham o nome de quem trabalha limpo. Acaba que todo mundo sai prejudicado porque o pessoal deixa de confiar no nosso trabalho. A dica que eu dou é estudar bem a índole da empresa antes de entregar o carro. Assim ninguém sai perdendo”, pede o gerente de uma revendedora da região, que pediu para não ser identificado.

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Investigações

Após ser indiciado por estelionato, Wellington Cardoso compareceu à 8ª DP e prestou depoimentos. Aos investigadores, alegou dificuldades financeiras. Depois que foi liberado, ele e o advogado que o representa pararam de atender às ligações da polícia.

Além do dono, alguns funcionários também foram indiciados. “Três funcionárias estão envolvidas na armação. Elas atraiam os clientes e ficavam encarregadas da tarefa de protelar o pagamento, adiando a resolução”, afirma o delegado-chefe da 8ª DP, Rodrigo Bonach. Com a divulgação do caso, ele que novas vítimas procurem a delegacia.

Para evitar novos golpes como esse, Bonach alerta: “Pesquise o histórico da empresa. O DUT só deve ser assinado e reconhecido em cartório mediante pagamento. Infelizmente esse tipo de golpe não é novo. Somente nos últimos 10 anos, foram registrados pelos menos quatro fraudes de grandes comércios como esse”. Em janeiro de 2019, a vizinha Wall Multimarcas aplicou o mesmo crime e os donos chegaram a ser presos. Na ocasião, foram abertos mais de 30 inquéritos contra a empresa.

O Metrópoles tentou ligar em diversos telefones da Well Motors e do dono, mas não conseguiu contato até a última atualização.

A Agenciauto, que reúne as empresas revendedoras de veículos do DF, informou que já havia alertado a polícia sobre as irregularidades na Well Motors e que a empresa não faz parte dos quadros da entidade.

Veja a nota da Angenciauto:

Reprodução

 

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