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Nove meses depois da queda do viaduto do Eixão Sul, o GDF se esforça para cumprir a meta de terminar a reforma até o fim de 2018 – antes de o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) passar as chaves do Palácio do Buriti para Ibaneis Rocha (MDB).

A empresa vencedora da licitação, a Via Engenharia, iniciou as obras no local há três semanas, com dois turnos de trabalho por dia. Porém, há previsão contratual de realizar os reparos também durante a noite. “Cobramos a execução de serviços no turno noturno. Está previsto no orçamento”, afirmou ao Metrópoles o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF), Márcio Buzar.

Até o momento, a empresa iniciou as fases de limpeza, fundação e escoramento. Na próxima semana, começa o reforço da laje de rolamento. Depois, será realizada a concretagem dos pilares e da pista para pavimentação do elevado. O custo total previsto da obra está em R$ 10,9 milhões. O valor é 16% menor do que a estimativa contratual, de R$ 12,9 milhões.

O prazo previsto no acordo da empresa com o DER-DF para o término da reforma é de 5 meses desde o início dos reparos, datado no início de outubro. Porém, segundo o GDF, é possível concluir antes. “Vamos manter nosso cronograma”, completou Buzar.

Se a previsão se concretizar, Rollemberg conclui o mandato sem a pecha de ter deixado a obra inacabada. Procurada, a Via Engenharia disse que apenas o DER-DF pode se pronunciar sobre as obras do viaduto.

A queda
O viaduto sobre a Galeria dos Estados desabou em 6 de fevereiro deste ano. A estrutura caiu sobre quatro carros e um restaurante, mas não houve feridos. Laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil a respeito do ocorrido confirmou que há tempos o elevado pedia reparos.

O problema já havia sido alertado pelo Tribunal de Contas local (TCDF) anos antes do desastre, mas a recomendação de efetuar correções urgentes na estrutura foi ignorada.

A previsão inicial do governo era de que a obra ficaria pronta em setembro deste ano. Porém, após discordâncias no projeto de reconstrução, o empreendimento atrasou. O plano trazia uma mudança arquitetônica nos pilares de sustentação da nova estrutura e foi questionado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Assim, todos os parâmetros só foram acertados após a licitação ter sido realizada. A ordem de serviço foi assinada em 17 de setembro, estabelecendo o prazo de 10 dias para a Via Engenharia montar o canteiro de obras. Os reparos começaram em seguida e continuam mesmo com período de chuvas, que não devem atrasá-los, segundo o DER-DF.

 

Ibaneis Rocha contesta
Após o segundo turno, o governador eleito Ibaneis Rocha declarou ao Metrópoles – na primeira entrevista exclusiva concedida após o resultado da votação – que pretende implodir o viaduto sobre a Galeria dos Estados caso a obra de reconstrução não fique pronta até o fim do mandato de Rodrigo Rollemberg.

O emedebista colocou em xeque a capacidade de o atual chefe do Executivo local entregar a estrutura até dezembro. “Acho que o governador, infelizmente, vai entregar o viaduto sem conseguir concluí-lo. Se não conseguir concluir, vou implodir e fazer um novo. Acho que Brasília merece um viaduto novo, com área de restaurantes ali embaixo. Nós temos que cuidar das coisas de uma forma bem rápida”, disse.