GDF aciona Justiça para deixar marido de mulher com coronavírus em quarentena

Governo quer manter o homem, de 45 anos, em regime de isolamento domiciliar. Esposa foi o primeiro caso confirmado da doença no DF

atualizado 16/03/2020 11:31

Ambulância na entrada do Hospital Regional da Asa Norte (Hran)Igo Estrela/Metrópoles

Governo do Distrito Federal (GDF) acionou a Justiça para que o marido da mulher de 52 anos internada no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com coronavírus fique em quarentena. O GDF quer obrigar André Luis Souza Costa da Silva, 45, a ser mantido em isolamento domiciliar.

Enfermeiros e médicos ouvidos pela reportagem confirmaram a situação e se mostraram incomodados. Eles temem que haja contaminação no hospital, uma vez que André Luis tem andado nas dependências do Hran, inclusive pela unidade de terapia intensiva (UTI), onde a mulher está internada.

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De acordo com os profissionais do Hran, o argumento do homem ao entrar e sair da unidade de saúde é que a mulher tem uma doença grave e precisa da ajuda dele. Além disso, alega usar máscara, o que, para ele, seria medida suficiente para evitar a propagação do vírus.

André Luis se submeteu a exame para confirmar ou descartar eventual contaminação por coronavírus. Contudo, até a última atualização deste texto, não havia informações sobre o resultado do procedimento.

Servidores do Hran afirmam ter alertado o secretário de Saúde, Osnei Okumoto. Procurado pelo Metrópoles, o titular da pasta não havia retornado o contato até a última atualização deste texto.

Devido à repercussão do caso, a Secretaria de Saúde preparou uma portaria para barrar a entrada de visitantes na UTI. O texto, ao qual o Metrópoles teve acesso, diz que ficam vetadas “visitas aos pacientes diagnosticados com Covid-19 nas unidades de internação e de terapia Intensiva do Distrito Federal, até que haja liberação pelo Centro de Operações de Emergência (COE)” da pasta.

No pedido do GDF à Justiça, o governo fala em autorização para “acesso forçado dos profissionais de saúde e agentes responsáveis pelo cumprimento da ordem na residência do requerido” para que seja colhido “compulsoriamente” material clínico para análise. Além disso, requer que o marido da paciente fique em casa até o resultado do exame, sob pena de multa de R$ 20 mil “por ato de descumprimento”.

Viagem à Europa

André Luis viajou com a esposa para o Reino Unido e a Suíça, recentemente. A mulher começou a apresentar os sintomas em 26 de fevereiro, mas somente deu entrada no pronto-socorro do Hospital Daher, no Lago Sul, no dia 4 de março, com febre, tosse e secreções.

No dia seguinte, ela foi transferida para o Hran, unidade de referência para casos da doença no DF. Por causa da ida dela para a UTI do centro de saúde, na sexta-feira (06/03), o andar onde funcionam 10 leitos de terapia intensiva foi esvaziado para recebê-la.

Os pacientes que antes estavam internados no setor precisaram ser realocados em outras unidades de saúde do DF. Até agora, a mulher é o único caso confirmado de Covid-19 no DF.

Na semana passada, o marido dela já era considerado caso suspeito e chegou a ficar em isolamento no Hran, segundo a Secretaria de Saúde, no mesmo ambiente da esposa.

No entanto, segundo fontes do hospital relataram à reportagem, o homem nunca chegou a ficar em isolamento. “Ele entra e sai do hospital o tempo todo”, relata um funcionário.

A reportagem não conseguiu contato com André Luis até a última atualização desta matéria. O espaço continua aberto.

Casos investigados

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (09/03) pelo Ministério da Saúde, o número de casos confirmados para o novo coronavírus no Brasil permanece em 25. Já os suspeitos, que estão em investigação para a realização do diagnóstico, alcançam 930.

No Distrito Federal, subiu de 24 para 41 o número de casos investigados desde domingo (08/03). Houve 24 descartados.

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