Gastos de brasileiros com bets ultrapassam R$ 30 bilhões por mês

A explosão das apostas online no Brasil, a partir de 2023, tem agravado de forma significativa a situação financeira das famílias

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida mostra plataforma de aposta em bets. Metrópoles - Foto: Rodrigo Freitas/Metrópoles

A explosão das apostas online no Brasil, a partir de 2023, tem agravado de forma significativa a situação financeira das famílias, elevando principalmente os níveis de inadimplência mais severa. É o que aponta um estudo baseado em dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que analisou o período entre maio de 2021 e março de 2026. O estudo foi apresentado na sede da CNC nesta terça-feira (28/4), em Brasília.

Segundo o levantamento, os gastos com as chamadas “bets” saltaram de praticamente zero para mais de R$ 30 bilhões mensais em três anos. Esse crescimento acelerado coincide com o aumento de indicadores críticos, como o número de famílias que não conseguem pagar suas dívidas e o tempo médio de atraso nos pagamentos.

“Assim como o comércio venda de bebidas alcoólicas, a gente não pode deixar que todos sejam expostos às bets, principalmente as pessoas de baixa renda”, comentou Fábio Bentes, economista da CNC.

Em todo país, 268 mil famílias estão endividadas por causa de apostas online.

Os resultados mostram que, embora não tenha havido aumento significativo no total de famílias endividadas, houve forte piora na qualidade dessas dívidas. Ou seja, mais pessoas passaram a enfrentar dificuldades graves para honrar compromissos já existentes.

O indicador mais afetado foi o de inadimplência severa — famílias que declaram não ter condições de pagar suas contas. Além disso, o tempo médio de atraso também cresceu de forma consistente, indicando um agravamento prolongado da situação financeira.

Perfil dos endividados

Homens, pessoas com mais de 35 anos e famílias de baixa renda estão entre os mais afetados. Surpreendentemente, indivíduos com maior escolaridade também apresentaram aumento relevante na inadimplência, possivelmente devido ao maior acesso a plataformas digitais e crédito. Já entre as classes mais altas, houve redução no endividamento total, mas aumento nos atrasos, sugerindo uma migração de recursos para apostas.

Mesmo em um cenário econômico relativamente favorável — com queda do desemprego, inflação controlada e maior oferta de crédito — os efeitos negativos das bets persistiram, reforçando a relação entre o avanço das apostas e o deterioro financeiro das famílias.

Diante desse cenário, o estudo recomenda medidas como maior regulação da publicidade das plataformas, fortalecimento da proteção ao consumidor e ampliação de programas de educação financeira. A conclusão da pesquisa é de que o crescimento das apostas online já representa um problema relevante de ordem econômica e social no país.

Apostas no DF

Entre apostas em bets, loteria e cassinos, a maioria dos apostadores do Distrito Federal (DF) é do grupo de média-baixa renda. Este é um dos cortes do estudo “Apostadores no Distrito Federal Diagnóstico comportamental e sociodemográfico”, produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Família (Sefami-DF). A análise foi divulgada em janeiro de 2026.

O estudo entrevistou 1.827 pessoas, entre 8 a 25 de setembro de 2025. Segundo a pesquisa, o número de pessoas que fizeram algum tipo de aposta nos últimos 12 meses é de mais de um terço (35%)

A maior parte dos apostadores identificados na pesquisa pertence ao grupo de renda média-baixa, que concentra 32,5% do total. Em seguida, aparece o grupo de renda baixa, com 28,4%. Já os menores percentuais estão nas faixas de renda média alta (20,5%) e alta (19,7%), o que pode indicar que a participação em apostas é mais comum nas camadas de menor renda.

Entre os apostadores, a maior concentração está na faixa de renda entre R$ 1.518 e R$ 3.000, que representa 37,5% do total. Em seguida, aparece o grupo de R$ 3.001 a R$ 5.000, com 20,7%, e a faixa de até um salário mínimo (15,4%).

Nas bets, o gasto dos brasilienses é elevado: 36,6% ficam entre R$ 11 e R$ 60, 17,1% entre R$ 61 e R$ 100 e 22% entre R$ 101 e R$ 500, enquanto 9,8% ultrapassam R$ 500.

 

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