Loteria, tigrinho e bets: pesquisa mostra perfil dos apostadores do DF

Veja média salarial e tipo de aposta preferido no Distrito Federal; Estudo entrevistou 1.827 pessoas, entre 8 a 25 de setembro de 2025

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida mostra plataforma de aposta em bets. Metrópoles - Foto: Rodrigo Freitas/Metrópoles

Entre apostas em bets, loteria e cassinos, a maioria dos apostadores do Distrito Federal (DF) é do grupo de média-baixa renda. Este é um dos cortes do estudo “Apostadores no Distrito Federal Diagnóstico comportamental e sociodemográfico”, produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Família (Sefami-DF).

O estudo entrevistou 1.827 pessoas, entre 8 a 25 de setembro de 2025. Segundo a pesquisa, o número de pessoas que fizeram algum tipo de aposta nos últimos 12 meses é de mais de um terço (35%), valor superior ao verificado no Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool e Outras Drogas (Lenad) de 2024 para o Centro-Oeste (18,7%).

A maior parte dos apostadores identificados na pesquisa pertence ao grupo de renda média-baixa, que concentra 32,5% do total. Em seguida, aparece o grupo de renda baixa, com 28,4%. Já os menores percentuais estão nas faixas de renda média alta (20,5%) e alta (19,7%), o que pode indicar que a participação em apostas é mais comum nas camadas de menor renda.

A presença de apostadores está concentrada nas faixas de renda menores, especialmente na faixa de até 1 salário mínimo, conforme figura 10. Além disso, as faixas de 9 a 11 mil reais e de 5 a 7 mil reais apresentaram maior parcela de apostadores, relativamente.

Entre os apostadores, a maior concentração está na faixa de renda entre R$ 1.518 e R$ 3.000, que representa 37,5% do total. Em seguida, aparece o grupo de R$ 3.001 a R$ 5.000, com 20,7%, e a faixa de até um salário mínimo (15,4%).

Os percentuais caem progressivamente nas faixas mais altas: 8,4% entre R$ 5.001 e R$ 7.000; 4,9% entre R$ 7.001 e R$ 9.000; 3,8% entre R$ 9.001 e R$ 11.000; 2,3% entre R$ 11.001 e R$ 13.000; 2,5% entre R$ 13.001 e R$ 15.000 e 4,6% entre os que ganham acima de R$ 15.001.

Mais apostas

A loteria é a modalidade mais popular (26,6%), seguida das apostas esportivas, as bets, (8,4%) e o bingo (8%). Jogos de cassino online aparecem com 6,5%. O jogo do bicho tem 4,8%. Foram considerados apostadores aqueles que realizaram apostas de qualquer valor em qualquer uma das modalidades investigadas nos 12 meses anteriores à pesquisa.

A maioria dos apostadores (45,9%) apostou apenas em loterias. Outros 38,1% combinaram duas ou mais modalidades, formando o grupo de “apostadores múltiplos” . As demais modalidades registram poucos usuários exclusivos: 5,2% apostam só em bets, 4,5% apenas em jogo do tigrinho e outros jogos de cassino, 4,2% só em bingo e 2% exclusivamente no jogo do bicho.

Cliques

Quanto mais digital e disponível a modalidade, maior a intensidade do uso, ou seja de apostas. Loterias atraem usuários ocasionais, bets aumentam a recorrência semanal e cassinos online concentram os perfis mais frequentes. O uso frequente de dispositivos móveis e a facilidade de acesso ampliam oportunidades de jogar.

As loterias têm as menores frequências de uso: apenas 3,3% apostam diariamente e 33,3% utilizam menos de uma vez por mês, formando um padrão majoritariamente esporádico. As frequências semanais chegam a 39,6%.

Nas bets, a regularidade aumenta, com 10,7% de uso diário, 26% algumas vezes por semana e 17,3% cerca de uma vez por semana; o uso esporádico cai para 19,3%. Já nos cassinos online (jogo do tigrinho), a intensidade é a mais alta: 15,7% usam diariamente, 30,4% algumas vezes por semana e 18,3% mensalmente e 13,9% utilizam menos de uma vez por mês.

Gasto mensal

Com relação ao gasto mensal, bets e cassinos online apresentaram maior comprometimento financeiro, com presença principalmente em valores acima de 60 reais.

Nas loterias, predomina o gasto mensal dentro do intervalo de R$ 11 a R$ 60 (56,6%), seguido por até R$ 10 (24,8%); 8,% apostam entre R$ 61 e R$ 100. Já os valores acima de 100 reais somam 10%.

Quanto às bets, o gasto é mais elevado: 36,6% ficam entre R$ 11 e R$ 60, 17,1% entre R$ 61 e R$ 100 e 22% entre R$ 101 e R$ 500, enquanto 9,8% ultrapassam R$ 500.

Nos cassinos online, o padrão se intensifica: 37% gastam entre R$ 11 e R$ 60, 25,9% entre R$ 61 e R$ 100 e 22,2% entre R$ 101 e R$ 500 reais; gastos acima de R$ 500 alcançam 11,1%.

Entre jovens, adultos e idosos

Entre os entrevistados de 18 a 29 anos, 29,9% declararam ter feito algum tipo de aposta nos últimos 12 meses. Na faixa de 30 a 49 anos, esse percentual sobe para 35,4%. O grupo de 50 a 59 anos apresenta a maior proporção de apostadores, com 39,7%, enquanto pessoas com 60 anos ou mais registram 36,9% de apostadores.

Esses resultados acompanham o padrão identificado pelo Lenad de 2024, que apontou maior concentração de apostadores entre 25 e 49 anos (50,6%). A principal diferença está entre os jovens: no Distrito Federal, a participação de pessoas com até 29 anos é mais alta do que a registrada pelo Lenad para o grupo de 18 a 24 anos (16,8%).

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