Funcionários encontram mais um gato morto na UnB; o segundo em 5 dias

Universidade destacou que todos os gatos que circulam no campus Darcy Ribeiro e aceitam contato humano são vacinados periodicamente

atualizado 11/08/2022 11:49

Pessoa andando em corredor Hugo Barreto/Metrópoles

Cinco dias após a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) recolher o cadáver de um gato morto dentro do campus da Universidade de Brasília (UnB), o cadáver de um segundo felino foi encontrado nessa quarta-feira (10/8) por funcionários, próximo ao multiuso, na rua do Centro de Excelência em Turismo (CET).

“A Secretaria de Meio Ambiente (SeMA) da UnB informa que os gatos do campus encontrados mortos são recolhidos e periciados pelo Hospital Veterinário da UnB. Em geral, os laudos estão relacionados ao ataque de cães e atropelamento”, informou a UnB.

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“Todos os gatos que circulam no campus Darcy Ribeiro e aceitam contato humano são vacinados periodicamente. Os felinos porventura encontrados mortos são encaminhados para exame no Hospital Veterinário. Não há registros de animais contaminados por raiva”, reforça a universidade.

O animal encontrado no sábado (6/8) pode ser o suspeito de ter infectado o jovem de 18 anos que morreu com raiva humana no Distrito Federal, em 30 de julho. O óbito do rapaz foi o primeiro registrado na capital do país após 44 anos de erradicação da doença.

Prazo

O gato recolhido na UnB pode ser a chave para desvendar o vetor da doença. A família da vítima havia questionado qual teria sido, de fato, o animal infectado pela doença e que contaminou o estudante. Em nota, os parentes da vítima afirmam que a gata citada como vetor de transmissão do vírus permaneceu saudável por 24 dias após a arranhadura que provocou no jovem em 15 de maio.

“O que por si já torna descartada a hipótese sustentada pelas autoridades sanitárias, visto que qualquer mamífero que transmite a raiva é portador final do vírus, pois, necessariamente, morre entre cinco e sete dias do adoecimento estabelecido por protocolos internacionais, o prazo de segurança de 10 dias de observação de um animal suspeito”, diz o texto.

Os familiares frisam que o jovem não tinha o costume de frequentar ambientes silvestres e que a única mudança na rotina do rapaz foi a volta às aulas presenciais na Universidade de Brasília (UnB). “A única alteração em sua rotina foi o ingresso no 1º semestre na Universidade de Brasília (UnB), em 6/6/2022, que coincidiu com o retorno presencial das aulas após 2 anos e 3 meses de lockdown devido à pandemia da Covid-19”.

Ainda segundo a família, em 8 de junho, o jovem teve contato com um gato no campus da universidade.

“[…] Um gato, cinza e branco, nas intermediações do ICC Central, com comportamentos estranhos chamou a atenção do jovem, que o apelidou de ‘gato chapado’, pois possuía olhar vesgo, muito brilhante e atento para o teto do local, era arisco e não se misturava com os demais, além do andar trôpego e cambaleante”.

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Veja a nota da família na íntegra: 

Respostas

A família afirma que entrou em contato com o Ministério Público pleiteando a devida apuração da execução das ações e das estratégias de vigilância, prevenção e controle de zoonoses pela Vigilância Ambiental.

Procurado, o diretor substituto de Vigilância Ambiental da SES-DF, Laurício Monteiro, explicou que, desde o início do caso, a pasta realizou todo o trabalho de profilaxia. “Não nos detemos apenas na região em que a vítima morava. Fizemos e estamos fazendo trabalhos em todo o DF”, disse.

Ele reforçou que não há registros de que o gato da UnB tenha arranhado, mordido ou lambido o jovem. “Além disso, não podemos afirmar que a gata encontrada dias depois do incidente em que o menino foi arranhado é a mesma que o arranhou. Não temos como comprovar isso por meio de exames”, completou.

Em relação à UnB, Laurício destacou que há um trabalho junto à universidade de profilaxia em relação aos animais que circulam pelos campi. O gestor reforça a importância de se vacinar animais.

Em nota, a UnB informou que os animais que aceitam contato e que circulam pela universidade estão todos vacinados e não há registro de nenhum animal doente no campus. Além disso, entre os animais que morreram no último mês dentro da universidade, nenhum foi por causa de raiva.

Denúncia

Caso alguém desconfie que algum animal esteja com raiva é importante comunicar à Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde, pelo Disque Saúde – 160 ou pelo e-mail [email protected].

Além disso, não pode matar o animal agressor. É preciso deixá-lo em observação durante 10 dias, em local seguro, para não fugir nem atacar pessoas ou outros animais. Ele deve receber água e comida, normalmente. Durante a observação, verificar se apresenta algum sinal suspeito de raiva (alteração de comportamento). Caso não seja possível observar o animal em casa, encaminhá-lo ao canil da Gerência de Vigilância Ambiental Zoonoses (GVAZ), Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde, da Secretaria de Saúde.

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