Funcionários do BRB usaram agência no DF em esquema fraudulento
Suspeitos utilizaram ao menos 12 contas bancárias de uma agência do BRB em Ceilândia, para a distribuição do dinheiro lavado
atualizado
Compartilhar notícia

Os funcionários do Banco de Brasília (BRB), investigados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na Operação Insider por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção, teriam usado a instituição financeira para lavar dinheiro captado em esquema de fraude de boleto bancário em São Paulo.
Há indícios de que a dupla teria distribuído uma fração do dinheiro lavado em ao menos 12 contas bancárias no DF, entre pessoas físicas e jurídicas. Segundo a Delegacia de Repressão a Corrupção (DRCOR), as contas que recebiam os depósitos eram da agência do banco da região de Ceilândia (DF).
Um dos depósitos, inclusive, chegou a atingir o valor de mais de R$ 1 milhão. Além do valor, um dos alvos, que tinha uma sala comercial em Águas Claras (DF), levantou suspeita em relação ao padrão elevado de vida.
“Conseguimos delinear um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção”, afirmou o diretor da Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), o delegado Leonardo Cardoso. O delegado-chefe da Delegacia de Repressão a Corrupção (DRCOR), Diogo Cavalcante, responsável pela condução da operação Insider, classificou a fraude como: “um sofisticado esquema criminoso, com indícios de omissão de uma agência bancária”.
Em virtude disso, houve o bloqueio do imóvel do escriturário e o bloqueio de oito carros de luxo. Os investigadores pediram também bloqueios de contas bancárias, mas ainda aguardam a aprovação da Justiça.
Ainda de acordo com as diligências, um alvo teria recebido um um percentual da operação de venda de três carteiras de ativos avaliadas em mais de R$ 60 milhões, valores os quais, segundo a DRCOR, são considerados incompatíveis com os rendimentos formalmente declarados.
As investigações ainda apontam que os repasses da lavagem teriam sido encaminhados entre empresários, dois funcionários do BRB e um servidor público federal. A maioria dos envolvidos eram conhecidos, alguns deles, inclusive, eram vizinhos de condomínio. Segundo a DRCOR, alguns dos alvos eram moradores de Águas Claras.
Sobre a operação
- Batizada de Insider, a operação investiga um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro;
- Segundo a PCDF, parte dos valores investigados teria origem em uma fraude eletrônica milionária contra empresas privadas, já identificada anteriormente, cujos recursos acabaram bloqueados no BRB;
- Ao todo, a operação cumpre 17 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo;
- Além dos mandados, a operação determinou o bloqueio financeiro proporcional às movimentações suspeitas nas contas dos investigados, além do bloqueio da transferência de oito veículos de luxo e de um imóvel no Distrito Federal;
- Se condenados, os suspeitos poderão responder pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem chegar a 30 anos de prisão;
- A operação não tem ligação com Master, segundo o delegado Leonardo Cardoso.
A apuração teve início após denúncia apresentada pelo próprio BRB, com base em auditoria interna.
A partir da denúncia, os investigadores identificaram movimentações financeiras estimadas em 15 milhões, envolvendo transferências suspeitas entre pessoas físicas e jurídicas, operações com uso intensivo de numerário em espécie e indícios de ocultação patrimonial por meio da aquisição de veículos de alto valor e circulação fracionada de recursos.
Veja imagens da operação:
Em nota, o BRB confirmou que a operação teve início após as informações terem sido repassadas pelo próprio banco às autoridades competentes, depois da identificação de irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance.
“A investigação do BRB teve início ainda em maio de 2025, evidenciando a atuação proativa e diligente do Banco na identificação e tratamento de indícios de irregularidades. O Banco segue colaborando com as autoridades e adotando todas as providências necessárias para assegurar a conformidade de suas operações e a responsabilização de eventuais envolvidos”, diz.






