Crime da 113 Sul: livre após 15 anos preso, Mairlon cursa direito
Quase um ano após ser inocentado do Crime da 113 Sul, Francisco Mairlon tenta reverter nos estudos o período que lhe foi tomado

Quase um ano após ser inocentado da participação no Crime da 113 Sul, Francisco Mairlon Barros Aguiar, 38 anos, tenta recuperar o tempo que lhe foi tomado. Na última semana, o morador do Novo Gama (GO) iniciou graduação no curso de direito em uma universidade particular do Distrito Federal.
A roupa branca e o cabelo curto usados por Mairlon na Papuda deram lugar a roupas despojadas, cabelo bem cuidado e um sorriso largo e contagiante. Em suas redes sociais, ele compartilhou o primeiro dia na faculdade e festejou o início de um novo caminho após 15 anos preso. De presidiário a universitário, Mairlon ingressa na universidade “carregando uma história que nenhum livro será capaz de ensinar”, disse Mairlon.
“Não posso mudar o passado, mas posso escolher o que farei com tudo aquilo que vivi. E escolho transformar a dor em conhecimento, a experiência em propósito e a minha história em força para construir um futuro diferente”, escreveu Mairlon ao anunciar o ingresso no curso de direito.
“Hoje sou apenas um estudante dando os primeiros passos. Mas, para quem precisou recomeçar a vida depois de tantos anos, poder estar aqui já representa uma vitória imensa.”
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De presente, Mairlon recebeu da coordenação da universidade um vade mecum (guia de estudantes de direito que reúne leis e códigos). “Por muitos momentos de sua vida, Mairlon teve um vade mecum em suas mãos, buscou nele compreender seus direitos, sua defesa e a Justiça em que ainda precisava acreditar. E, por várias e várias vezes, o próprio sistema lhe tomou esse livro das mãos”, escreveu a irmã de Mairlon, a também advogada Naiara Barros Aguiar. Naiara se formou em direito após o irmão ser preso.
Desde a sua soltura, Mairlon tem sendo acolhido e recebeu algumas homenagens. Em março deste ano, recebeu da Subseção do Gama da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) uma placa de honra e justiça.

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Ver todasEntenda o caso
- Francisco Mairlon foi condenado a 47 anos, 1 mês e 10 dias de prisão acusado de participar do triplo homicídio do casal José e Maria Villela e da funcionária da família, Francisca Nascimento Silva. O caso ficou conhecido como Crime da 113 Sul;
- À época dos fatos, Francisco Mairlon foi preso após ser citado pelos dois executores confessos do crime, o porteiro Leonardo Campos Alves e Paulo Cardoso Santana;
- Porém, anos depois, Paulo Santana mudou o depoimento dado à polícia em 2010 e assegurou que Francisco Mairlon Barros não participou dos homicídios;
- Ministros do STJ votaram, em 14 de outubro de 2025, pela anulação do processo em que Mairlon foi condenado. A Corte determinou a soltura imediata do homem, decisão cumprida no fim daquele dia.
Soltura
Após ser libertado e bastante emocionado, Mairlon ressaltou a injustiça da condenação. “Foi um equívoco muito grande”.
“Nenhum tipo de reparação vai ser suficiente. Qualquer dinheiro ou qualquer palavra da Justiça não vai reparar a dor e o sofrimento que passei lá [na prisão]. Eu sofri muitas humilhações. É uma dor insuportável que passei”, contou Mairlon à época.
Ao ser questionado se havia telefonado para os pais, confessou a dificuldade para se adaptar com as novas tecnologias: “Tudo isso é novidade pra mim. Na minha época era Orkut e MSN. Não sei nem mexer no celular ainda. Isso tudo é muito estranho para mim”.
Mairlon segue compartilhando reencontros e conquistas em suas redes sociais onde faz questão de destacar a liberdade no seu perfil no Instagram com o nome de usuário de @mairlonlivre.
Agora, com o processo extinto, Mairlon é inocente e só poderá ser acusado novamente caso o Ministério Público do DF (MPDFT) apresente outra denúncia, com base em novas provas. À época, o MPDFT chegou a dizer, em nota, que iria recorrer da decisão para fazer prevalecer a condenação dada pelo Tribunal de Júri, mas até o momento o processo não teve novas atualizações.













