Fortium deixa prédio na Asa Sul com dívida de R$ 177 mil em contas de água
Débito teve início em 2012 e ficou duas vezes maior com juros e atualizações monetárias. Instituição teria violado lacre da Caesb
atualizado
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Os problemas de caixa da Faculdade Fortium vão além da dívida de R$ 1,5 milhão de aluguéis não pagos desde 2016, que resultaram no despejo da instituição do prédio localizado na 616 Sul. Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que o centro de ensino superior acumula débito total de R$ 177 mil com a Companhia de Saneamento Ambiental de Brasília (Caesb). São contas de água em aberto desde setembro de 2012. O débito se soma ao rastro de destruição deixado pelo grupo ao sair do local.
Segundo informação da Caesb à empresa proprietária do imóvel, a Ega Administração, Participações e Serviços Ltda, nesse período houve uma interrupção do serviço, em março de 2014. Porém, em vez de pedir o religamento e negociar a dívida, a faculdade teria violado o lacre instalado pela estatal – conforme consta no sistema da companhia – e continuado a consumir o recurso hídrico normalmente.
Das 39 contas emitidas desde setembro de 2012, metade não foi paga pela Fortium. A faculdade quitou 21. Com o atraso na quitação das demais parcelas, a dívida acabou dobrando depois disso, devido à cobrança de atualização monetária e dos juros de mora. Sem esses encargos, as faturas somariam R$ 87,9 mil (metade dos R$ 177 mil devidos).A conta de valor mais alto soma R$ 7,5 mil, referente a novembro de 2013. Mas, devido à atualização (R$ 2,2 mil) e aos juros (R$ 4,8 mil), a quantia saltou para R$ 14,6 mil.
Veja a planilha com os débitos:

A reportagem entrou em contato via e-mail com Wellington Moura, um dos responsáveis pela Faculdade Fortium, questionando-o sobre as contas em aberto. Ele afirmou desconhecer dívidas a respeito do fornecimento de água desde 2012.
“Até mesmo porque a unidade somente foi adquirida por essa gestão em 2014”, disse Moura. Ele acrescentou que os débitos são da gestão anterior. “Achamos estranha tal indagação, considerando que estamos em dia com os pagamentos de todos os débitos inerentes à água e luz”, afirmou.
Porém, o contrato firmado entre a Ega e a “Fortium – Editora e Treinamento LTDA” diz que o acordo foi celebrado em 2010, com validade de cinco anos: a previsão de término era em 1º de outubro de 2015 (confira abaixo):

Terra arrasada
O prazo para cumprimento da ordem de despejo da Fortium do prédio na 616 Sul terminou nesta segunda-feira (15/1). A instituição obedeceu à decisão judicial, mas deixou um rastro de destruição no imóvel da Asa Sul: mármores e lâmpadas foram arrancados, cadeiras e vidraças estavam quebradas, muretas de concreto ficaram completamente destruídas. Além disso, havia muito lixo espalhado.
O advogado Guilherme Alvim, da empresa proprietária do imóvel, afirma que a Fortium será responsabilizada, pois os danos foram causados durante o contrato de locação.
Ainda não existe uma estimativa do prejuízo. Já estivemos no local e fizemos fotos e vídeos para mostrar de que forma o imóvel foi recebido. Quando o orçamento ficar pronto, a Fortium será acionada judicialmente para arcar com as despesas, visto que o prédio estava sob responsabilidade dela
Guilherme Alvim, Ega Administração, Participações e Serviços Ltda
Veja fotos do estrago no edifício da 616 Sul:
Em março do ano passado, a Fortium recebeu da Justiça prazo de 10 meses para desocupar o lugar. A decisão foi tomada no âmbito da ação movida pela imobiliária proprietária do prédio, que não recebia aluguel desde fevereiro de 2016 – uma dívida total de R$ 1,5 milhão.
A instituição informou aos estudantes que, a partir de 31 de janeiro deste ano, as aulas serão ministradas no edifício Rádio Center, na Asa Norte. Ao todo, a Fortium conta com 1.570 estudantes matriculados, nos cursos de administração, ciências contábeis, direito, letras, design, gestão da produção e pedagogia, além de dois cursos de tecnólogo, em gestão de RH e gestão pública.












