Fora da lista de prioridade, professores da rede privada cobram vacina

Com aulas presenciais, docentes de escolas particulares estão indignados. Na rede pública, profissionais só voltam para sala após imunização

atualizado 24/03/2021 19:10

Michael Melo/Metrópoles

A exclusão dos professores na nova lista de grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19 em Brasília despertou indignação entre os docentes – principalmente os profissionais da rede particular.

O Governo do Distrito Federal (GDF) divulgou nesta quarta-feira (24/3) uma lista com 25 categorias que devem ter prioridade para a imunização. Educadores, contudo, não foram contemplados com a medida.

Segundo o Sindicato dos Professores em Estabelecimento Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproep), a decisão do Governo do Distrito Federal (GDF) coloca em risco a saúde da comunidade escolar.

“A gente recebeu essa decisão com muita indignação. Porque, meses atrás, o governo assumiu o compromisso de vacinar os professores. E nós estamos com aulas presenciais”, alertou o diretor do Sinproep, Rodrigo de Paula. “Nós vamos pedir a inclusão dos professores. Eles estão muito indignados”, completou.

Ainda na tarde desta quarta-feira (24/3), a entidade renovou os apelos ao Executivo distrital pela imunização dos docentes da rede privada de ensino.

Confira: 

 

Veja a carta do Sinproep ao GDF:

Protesto dos professores by Metropoles on Scribd

Na leitura do Sinproep, diante do quadro atual da pandemia do novo coronavírus, as aulas presenciais na rede particular devem ser suspensas novamente.

Escolas públicas

Como as escolas públicas estão sem aulas presenciais, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) considerou a decisão do GDF razoável. Mas avisa: os docentes da rede pública de ensino só voltam para sala de aula após a vacinação.

“Todas essas categorias que foram para a prioridade antes da gente já estão trabalhando de forma presencial. Nós ainda estamos trabalhando remotamente”, explicou a diretora do Sinpro, Rosilene Corrêa. “Então, não tem como a gente ter prioridade em detrimento de quem já está em uma exposição muito maior”, reforçou. Segundo Rosilene, entretanto, a volta dos professores está condicionada à imunização.

“Não há discussão de retorno presencial, porque, se não há data para a imunização dos professores, significa reforçar que continuaremos com trabalho remoto e sem perspectiva de retorno. Só voltamos com a vacina”, arrematou.

 CLDF

A exclusão dos professores na vacinação também gerou descontentamento e críticas na Câmara Legislativa (CLDF).

O deputado distrital Fernando Fernandes (Pros) enviou oficio para o governador, solicitando a inclusão dos docentes das escolas públicas e particulares na lista prioritária de vacinação.

Confira: 

Ofício Professores by Metropoles on Scribd

Além disso, Fernandes colocou suas emendas parlamentares à disposição do GDF, para a compra de parte dos imunizantes.

Veja:

Emendas vacinação by Metropoles on Scribd

O deputado Agaciel Maia (PL) também cobrou a vacinação dos professores das escolas particulares.

Além da imunização dos docentes na rede privada, o deputado Reginaldo Veras (PDT) destacou a importância da vacinação célere das equipes diretivas das escolas públicas, as quais permanecem em trabalho presencial. Claudio Abrantes (PDT) compartilhou da posição do correligionário.

Outro lado

O Metrópoles entrou em contato com o GDF e com o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF) sobre o tema.

O governo distrital negou a exclusão dos docentes, mas não apresentou datas ou cronograma para a imunização dos educadores. “A Secretaria de Saúde esclarece que não é verdade que os professores foram excluídos do grupo prioritário de vacinação da Covid-19. Essa informação não procede. Eles continuam com prioridade e, assim que a secretaria receber um quantitativo maior de doses de vacinação, vai estabelecer o início de vacinação para esse grupo”, informou o Executivo.

O Sinepe-DF compartilha da posição do GDF. “O que houve foi a inserção de novos grupos como prioridade”, afirmou a presidente da entidade, Ana Elisa Dumont. Segundo a sindicalista, o governo solicitou recentemente os nomes dos profissionais da área da educação, justamente para planejar a imunização desses profissionais.

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