Filial de centro de candomblé é derrubada em operação do DF Legal

Construção abrigaria endereço da Casa do Caboclo, que já possui sede em Sobradinho II. GDF alega que área é pública

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atualizado 20/05/2019 20:53

No mesmo dia em que o governador Ibaneis Rocha (MDB) sancionou a criação da Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal), extinta Agência de Fiscalização do DF (Agefis), a filial de um terreiro de candomblé localizada nas proximidades do Córrego do Urubu, no Lago Norte, foi demolida na manhã desta segunda-feira (20/05/2019) pelo novo órgão. O DF Legal afirma que a área é pública.

Segundo Américo Neves Filho, também chamado de Pai Lilico de Oxum, contudo, o terreno foi doado há quatro anos à comunidade. Um dos mais conhecidos pais de santo do Distrito Federal, ele coordena a Casa do Caboclo, entidade fundada no Distrito Federal em 1975.

Há um ano, Lilico decidiu erguer a sede na nova chácara, já que o endereço da matriz do terreiro – localizada em Sobradinho II – é considerado, segundo ele, distante para alguns seguidores, o que facilitaria o acesso de frequentadores do grupo.

“Começamos a reunir todas as contribuições, vendi bens pessoais, foi um investimento de mais de R$ 120 mil. Era tudo muito simples, mas bem bonitinho, comprado com a ajuda de muitos. É muito triste ver o que restou de nossos esforços: um grande amontoado de entulho. Minha tristeza é enorme”, disse o babalorixá ao Metrópoles.

O religioso alega nunca ter recebido nenhum tipo de notificação por parte do órgão de fiscalização, tampouco intimação judicial. “Fomos todos pegos de surpresa. As máquinas já chegaram derrubando tudo, e não tive chance de me defender”, alega.

O ex-deputado distrital Raad Massouh (PTB) foi até o local e gravou um vídeo logo após a ação do DF Legal. “Uma crise dessa em que a pessoa vem lutando para sobreviver, aí acontece um negócio desses. Realmente, é muito triste”, disse o ex-parlamentar na gravação.

Veja o vídeo:

 

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Derruba a filial da casa de caboclo pai lilico no morro do urubu

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“Área pública”
Procurado pela reportagem, o DF Legal alegou que, por se tratar de construção irregular em área pública, não há notificação antes da derrubada. Ainda de acordo com o órgão, não havia registro de pedido de licença para atuação de entidade religiosa no local.

“O DF Legal informa que foi retirada, nesta segunda-feira (20/05/2019), uma obra irregular recente de alvenaria, em construção e desocupada, no Núcleo Rural Córrego do Urubu. Trata-se de parcelamento irregular de área pública. O imóvel não possuía características de templo religioso e, sim, de moradia”, sustenta.

Trabalho social
Além de propagar a religião de matriz africana, Pai Lilico de Oxum dedica os espaços a trabalhos sociais e comunitários. Em Sobradinho II, ele abriga cerca de 20 famílias carentes, as quais trabalham na luta pela intolerância religiosa. Pai Lilico também oferece no espaço cursos de capoeira e de teatro em parceria com escolas da região.

Veja o momento da derrubada:

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