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Distrito Federal

Filhas de homem morto em UPA no DF souberam do caso nas redes sociais

Vilmar da Silva, de 49 anos, morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas (DF) nesse sábado (20/6)

22/06/2026 12:05, atualizado 22/06/2026 12:10
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Reprodução/Redes Sociais
Filhas de homem morto em UPA no DF souberam do caso nas redes sociais

As filhas de Vilmar da Silva, de 49 anos, que morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas (DF) nesse sábado (20/6), relataram que souberam da morte do pai por meio das redes sociais. Emily Silva contou que a família foi informada após a circulação de vídeos na internet.

Veja:

“No Recanto, a gente é bem conhecido, meu pai é bem conhecido, todo mundo conhece. Então, na hora que começou a circular os vídeos na internet, o familiar começou a ligar para gente”, disse Emily Silva ao Metrópoles.

A outra filha de Vilmar, Evelyn Silva, afirmou que a forma como recebeu a notícia foi “horrível, cruel e devastadora”.

“Eu descobri através de redes sociais, infelizmente. Então, automaticamente eu me dirigi a UPA. Fui atendida pela assistente social, pela gestora da UPA. E aí, que estamos agora esperando a liberação do corpo”, afirmou Evelyn.

Segundo as filhas, os últimos anos de Vilmar foram marcados por dificuldades, após ele desenvolver alcoolismo. Emily relata que, há cerca de cinco anos, o pai sofreu um acidente na rua e teve uma convulsão.

“Nessa convulsão ele teve uma traumatismo craniano, ficou internado. [Ele] ficou bem debilitado depois que saiu do hospital porque ficou seis meses em coma“, disse Emily.

Após o episódio, ele chegou a morar com Emily em Água Quente (DF), mas depois deixou a casa e passou a viver em situação de rua. “A gente nesse tempo todo quis pegar ele, porém ele não queria vir para nossa casa, porque queria continuar no vício”, contou.

Ela relata ainda que, dois dias antes da morte, o pai havia pedido novamente para deixar a casa dela e voltar ao Recanto das Emas.

“Porém há 2 meses atrás eu consegui convencer ele de vir para minha casa e ele veio, ele estava 2 meses comigo. No dia do ocorrido que aconteceu na UPA, tinha 2 dias que ele que ele tinha pedido para sair da minha casa e foi e voltar para o Recanto e foi assim que aconteceu”.

Pessoa querida

Emily afirma que, antes do alcoolismo, Vilmar era conhecido na região como Marcelo e lembrado como uma pessoa querida.

“Todo mundo viu a pessoa boa, ótima que ele era com todo mundo, amigo de todo mundo […] Ele foi um bom pai, um ótimo avô, ajudou a gente criar nossos filhos”, afirmou. “Na época do alcoolismo, o único mal que ele fazia era para ele mesmo”.

Já Evelyn também disse que o pai era “um homem incrível, trabalhador”, mas que há alguns anos se entregou ao vício, foi morar na rua e que foram anos lutando pela vida dele.

Segundo Evelyn, a família não tinha confirmação sobre doenças pré-existentes devido ao estado dele por questão da bebida e que as internações dele era muito complicadas.

“Por causa das inúmeras vezes que ele foi parar lá [na UPA], toda vez já falavam que era conta do álcool, que era do álcool e nem se prestavam a fazer um exame decente para saber se o álcool tinha provocado alguma coisa ou se ele tinha adquirido alguma doença”, relatou Evelyn.

“O que a gente sabe é que ele estava morto dentro de uma unidade hospitalar e nenhum segurança, nenhum médico, nenhum enfermeiro se deu ao luxo de conferir se ele estava vivo ainda. Isso ainda é admissível”, completou

Entenda o caso

Vilmar morreu nesse sábado (20/6) na UPA do Recanto das Emas. Novas imagens obtidas pela coluna Grande Angular mostram o homem antes de morrer.

Silva chegou à UPA em uma cadeira de rodas, às 21h14 de sexta-feira (19/6). Ele bebeu água e foi posicionado, por um vigilante, em um canto da sala de espera da unidade de saúde.

De acordo com as imagens, aproximadamente duas horas depois, ele foi ao banheiro. Na ocasião, às 23h07, ele estava sem a pulseira de identificação para atendimento.

Já durante a madrugada, aproximadamente às 2h40, o homem permanecia na cadeira de rodas. Aparentemente, Silva toma um líquido não identificado, às 2h43. Um minuto depois, às 2h44, o segurança se aproxima e fala com ele. Às 3h, Silva se cobre com o cobertor. Ao lado, três pessoas estavam dormindo nas cadeiras da UPA.

Uma testemunha, que não quis se identificar, disse ao Metrópoles que estava na unidade de saúde com a filha. “Em dado momento, um dos presentes afirmou que um senhor não apresentava sinais vitais. Minha esposa, que é enfermeira, verificou o pulso do paciente e constatou o óbito”, afirmou.

Ainda segundo o relato, a equipe de plantão da UPA foi informada, mas um enfermeiro teria negado o falecimento. “Naquele momento, acreditamos que essa postura fosse uma estratégia para remover o corpo da área de espera e declarar o óbito posteriormente, como se o paciente tivesse recebido assistência”, observou.

A reportagem entrou em contato com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) que, em nota, disse estar apurando as circunstâncias do óbito.

“A vítima, identificada como pessoa em situação de rua, não possuía ficha de atendimento aberta na unidade na data da ocorrência”, afirmou.

Segundo o instituto, profissionais da UPA realizaram avaliação imediata e constataram a ausência de sinais vitais.

“Em seguida, foram acionadas a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para os procedimentos legais. O Iges-DF permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”, encerrou a nota.

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