Antes de morrer em UPA no DF, homem disse que não comia há 15 dias. Veja vídeo
Horas antes de buscar atendimento em uma unidade de saúde, homem recebeu orações de grupo de evangelização

Horas antes de dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas (DF), onde morreu nesse sábado (20/6) enquanto aguardava atendimento, Vilmar da Silva, de 49 anos, relatou a um grupo de evangelização que estava há cerca de 15 dias sem se alimentar.
Um dia antes da morte, Daniel Fernandes e a esposa realizavam ações de evangelismo na região, com distribuição de alimentos e abordagem a pessoas em situação de vulnerabilidade, quando conheceu Vilmar.
“Ele relatou pra mim que tava 15 dias sem comer, foi lá e tomou um caldo com a gente. A gente conversou, e sempre é muito marcante esses momentos de contar a história, de sentar, de conversar com pessoas que muitas das vezes a sociedade passa e vira o rosto”, disse Daniel.
Segundo ele, o grupo costuma realizar a ação algumas vezes por mês e, além de conversar com as pessoas, também distribui alimentos, como caldos.
“A gente sabe a situação, que muitas das vezes tem pessoas que passam dias ali na UPA e às vezes sem comer, esperando parentes, esperando notícia. E a gente estava ali fazendo, pregando o evangelho, entregando panfleto”, afirmou.
De acordo com Daniel, foi a esposa dele quem percebeu o homem sentado em uma cadeira de rodas. “Eu cheguei, comecei a conversar com ele enquanto ele tomava o caldo. Ele estava me relatando algumas coisas, disse que já tinha 15 dias que não comia e que tinha passado por uma grande frustração e acabou parando na rua por causa disso. Não dava para entender muito aquilo que ele estava falando porque ele estava muito debilitado”, disse.
Ainda segundo ele, o grupo chegou a oferecer ajuda para levá-lo embora, mas o homem teria recusado. “Assim a gente terminou de conversar e tudo mais, peguei a mão dele, abençoei a vida dele, eu e minha noiva despedimos, oramos por ele”, relatou.
Daniel também contou que Vilmar relatou ter duas filhas e que seria casado, mas devido a essa frustração pela qual contou ter passado, acabou em situação de rua. “Tem uma frase que me marcou, que ele falou assim, que no coração dele não tinha mais mágoa, e aí eu falei para ele que isso era louvável, que independente da frustração, guardar mágoa traria para ele ainda mais prisões”, afirmou.
Entenda o caso
O caso de Vilmar ocorreu nesse sábado. Segundo uma testemunha que estava no local, alguns pacientes se posicionaram à frente do corpo para evitar a remoção, dizendo que não permitiriam que o movimentassem antes da chegada da polícia.
Veja:
Uma testemunha, que não quis se identificar, disse ao Metrópoles que estava na unidade de saúde com a filha. “Em dado momento, um dos presentes afirmou que um senhor não apresentava sinais vitais. Minha esposa, que é enfermeira, verificou o pulso do paciente e constatou o óbito”, afirmou.
Ainda segundo o relato, a equipe de plantão da UPA foi informada, mas um enfermeiro teria negado o falecimento. “Naquele momento, acreditamos que essa postura fosse uma estratégia para remover o corpo da área de espera e declarar o óbito posteriormente, como se o paciente tivesse recebido assistência”, observou.
A reportagem entrou em contato com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) que, em nota, disse estar “apurando as circunstâncias do óbito”. “A vítima, identificada como pessoa em situação de rua, não possuía ficha de atendimento aberta na unidade na data da ocorrência”, afirmou.
Segundo o instituto, profissionais da UPA realizaram avaliação imediata e constataram a ausência de sinais vitais.
“Em seguida, foram acionadas a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para os procedimentos legais. O Iges-DF permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”, encerrou a nota.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF
Frequência de envio: Diário
Ver todas

