Fiéis pagam promessas e sobem o Morro da Capelinha antes da Via-Sacra
Horas antes do início da tradicional encenação, o Morro da Capelinha estava tomado por pessoas que, em ato de emoção, pagavam promessas

Fiéis visitam desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira (18/4), feriado da Paixão de Cristo, o Morro da Capelinha, em Planaltina, para acompanhar a encenação da Via-Sacra marcada para as 15h.
Considerada a maior encenação religiosa do Brasil, a Via-Sacra do Morro da Capelinha dura cerca de quatro horas, em um trajeto de 1,5 quilômetro. Neste ano, a apresentação celebra 52 anos.
Como forma de manifestar a fé, religiosos sobem a ladeira de joelhos, enquanto fazem orações, em voz alta ou em momentos pessoais de reflexão.
Assista aos fiéis no Morro da Capelinha:
Horas antes do início da tradicional encenação, o Morro da Capelinha era tomado por pessoas que, em ato de emoção, pagam promessas e celebram a Sexta-Feira Santa no cenário religioso.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA dona de casa Vicentina Petronília de Sena, 62 anos, foi uma das peregrinas que optou por chegar logo cedo no local. Acompanhada pela filha Cristiane de Sena, 38, e da neta Clara Alves de Sena, 15, elas saíram de casa, em Luziânia, no Entorno do DF, às 4h30.
“Pegamos dois ônibus até aqui. Viemos para pedir proteção e saúde ao nosso Deus. Temos um bisneto a caminho e o desejo é de que venha para nós trazer muitas alegrias”, conta Vicentina.
Elas chegaram ao Morro da Capelinha, por volta das 8h30, e levaram alimentos, bebidas, lona e guarda-chuvas para se protegerem do sol e da chuva. “A intenção é ficar até o término da encenação”, acrescentou a avó.
A expectativa é que o evento reúna 100 mil pessoas durante todo o dia, em uma verdadeira peregrinação coletiva.
Debaixo de um sol quente, o estudante Vitor Hugo, 17, subiu todo o morro de joelhos. Morador do Vale do Amanhecer, Vitor sofreu um acidente há cerca de quatro meses e sofria com o risco de perder um dos braços.
“Escolhi essa data para pagar a minha promessa. Estou aqui pela fé e esperança. Deus é milagroso e me concedeu essa graça. Prometi que subiria o Morro da Capelhinha de joelhos. Hoje, estou aqui para realizar o percurso e cumprir o combinado”, declarou o jovem.
Percurso
O inicio da encenação ocorre às 15h, com a Celebração da Santa Cruz, presidida pelo Cardeal Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa. Às 16h, os participantes passarão a acompanhar a representação dos últimos momentos de Jesus, desde sua condenação até a crucificação e, depois, ressurreição.
O espetáculo percorre as 14 estações da Via Sacra e conta com a atuação de crianças e jovens, que interpretam personagens como Jesus, Maria, soldados romanos e o povo de Jerusalém. Figurinos, gestos ensaiados e narrações emocionantes ajudam a dar vida à apresentação, que também será transmitida ao vivo pelo YouTube, possibilitando a participação virtual do público.
Moradora da Vila Planalto, Maria do Socorro, 65, frequenta o Morro da Capelinha desde 2000.
“Fui diagnosticada com uma doença e sempre pensei que pudesse ser câncer. Foi uma alegria quando descobrir não se tratar dele. Só tenho a agradecer a Deus por ter conseguido criar meus seis filhos. Cristo é luz na minha vida. Me dá forças para viver e lutar. A minha fé nele é muito grande. É pelas graças alcançadas que estou aqui todos os anos”, disse Maria do Socorro que subiu e descerá todo o percurso descalça.
Essa é a primeira vez dos irmãos Irene Rodrigues Silva, 52, e Mauro Rodrigues Silva, 50, na peregrinação. A dupla chegou ao local por volta das 8h e subiu o morro à pé. No topo, ascenderam velas ajoelhados e rezaram ao pé da imagem de Nossa Senhora.
“É um momento de fé e amor à Cristo muito importante. Viemos pela devoção e crença. Foi um momento muito importante chegar até o fim. É cansativo, mas é especial”, comentou Mauro.

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De acordo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para a tarde é de tempo nublado com a possibilidade de pancadas de chuva.
Para quem vai assistir à Via-Sacra no Morro da Capelinha pela primeira vez, a dica é simples: levar roupas leves, água, capa de chuva, protetor solar e , acima de tudo, espírito aberto. A celebração acontece sob sol ou chuva e reúne famílias inteiras, dos avós aos netos.



















