Febre das figurinhas reúne gerações em pontos de troca no DF

Ponto de encontro permite que tradição de álbum de figurinhas, como o da Copa, atravesse gerações de famílias brasilienses

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1 de 1 figurinhas-copa-banca-11 - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Pais e filhos, irmãos e familiares ocupam mesas de uma banca na Asa Norte, Brasília  (DF), tradicional ponto de troca de figurinhas e encontro de colecionadores, durante horas, munidos de listas para procurar os itens que ainda faltam.

Semanalmente, o cenário mistura diferentes gerações. Desde crianças negociando figurinhas ao lado dos pais, colecionadores espalhados pelo chão sobre forrinhos a vendedores com pastas, caixas e peças acrílicas organizadas por números, países e categorias e comerciantes com carros lotados de blusa da seleção. Reunião familliar

A secretária executiva Mariana Reinke, 35 anos, levou os filhos Martina, 8, e Bernardo, 4, para participar das trocas. Embora já tivesse feito algumas trocas de figurinhas anteriormente, foi a primeira vez que a família inteira participou do encontro.

“Eu faço álbum desde pequenininha. Tenho muitas lembranças de trocar figurinha com o meu pai.”

A experiência, segundo ela, ganhou um significado diferente nesta edição. Na Copa passada, Bernardo ainda era bebê e Martina era muito pequena: “É a primeira vez que a gente está curtindo isso de verdade”.

Moradora da Asa Norte, Mariana diz que a proximidade da banca facilitou a rotina de trocas. Em vez de depender apenas de colegas de trabalho ou dos poucos amigos dos filhos que também colecionam, ela passou a frequentar o espaço para acelerar a busca pelas figurinhas que faltam.

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Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
Os irmãos Tiago Layan e Lucas Marçal
Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
A secretária executiva Mariana Reinke junto com os filhos, Martina e Bernardo, e o marido
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A secretária executiva Mariana Reinke junto com os filhos, Martina e Bernardo, e o marido

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Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
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Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo

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Os irmãos Tiago Layan e Lucas Marçal

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Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo

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O servidor público Vladson Araújo, 45, montou uma espécie de força-tarefa de troca de figurinhas entre três dos quatro filhos, de 10, 11 e 14 anos, somente o caçula, de 4, não foi ao encontro.

Segundo Vladson, a coleção começou logo após o lançamento do álbum. No início, as trocas aconteciam na escola e entre amigos. Com o tempo, a família passou a frequentar a banca quase todos os fins de semana: “Aqui é bom porque tem muita gente. A gente consegue zerar as repetidas e até trocar as brilhantes”, compartilhou.

O servidor conta que uma das escolas dos filhos chegou a proibir as trocas após desentendimentos entre alunos. Mesmo assim, a movimentação continuou fora dos muros da escola. “A gente combina de ir para a casa dos amigos ou encontra o pessoal em outros pontos de troca”, disse.

O programa também fez parte do pós-feirado do dentista Daniel Duarte, 43 anos, que levou a filha Luísa Oliveira, de 7, para a tarde de trocas. Pai e filha já participaram de pelo menos dois outros encontros, e hoje chegaram a cerca de 85% do álbum completo.

Daniel conta que começou a montar álbuns durante a Copa de 2014 e manteve a tradição nas edições seguintes.

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Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
Ponto de encontro tradicional, na 106 Norte, para troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
Ponto de encontro tradicional, na 106 Norte, para troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
Ponto de encontro tradicional, na 106 Norte, para troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
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Agora, divide a experiência com a filha. “Tem mais ou menos um mês que a gente está abrindo pacotinho e trocando figurinha”, contou. Além dos encontros na banca, Luísa também leva os cromos repetidos para a escola, onde participa de trocas com colegas e até de um álbum coletivo organizado pelos alunos.

Vendedores, revendedores e colecionadores de figurinhas

Os irmãos Tiago Layan, 18, e Lucas Marçal mantinham uma das tendas mais movimentadas do local. Sobre a mesa, milhares de figurinhas separadas por categorias esperavam compradores em busca dos cromos mais difíceis.

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Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
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Os irmãos Tiago Layan e Lucas Marçal
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Os irmãos Tiago Layan e Lucas Marçal

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Troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo

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“A gente compra muito pacote, separa tudo e depois revende”, explicou Tiago.

O negócio, porém, não nasceu com eles: “Meu pai vende desde 1996”. A tradição atravessou gerações. O pai participou das coleções de diferentes Copas e os filhos seguiram o mesmo caminho. “Desde criança a gente acompanha isso. Copa de 2004, 2008, 2012, 2016. A gente sempre esteve nesse meio.”

Nos fins de semana, a rotina dos irmãos começa cedo. Eles chegam por volta das 7h da manhã e permanecem no local até o início da noite.

Ponto de encontro para perpetuar a tradição

À frente da banca há mais de 40 anos, José Gonçalves Brito, 63, acompanha o movimento há décadas. No caso dele, a tradição de troca de figurinhas começou ao tentar completar o álbum do fiho de 7 anos, em 1998, quando ergueu um papel anunciando a troca na frente da banca. Desde então, a tradição se repete, e a Banca do Brito virou referência de troca brasiliense.

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José Gonçalves Brito, dono da banca onde ocorre o encontro
Ponto de encontro tradicional, na 106 Norte, para troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
Ponto de encontro tradicional, na 106 Norte, para troca de figurinhas de álbuns da Copa do Mundo
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José Gonçalves Brito, dono da banca onde ocorre o encontro
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José Gonçalves Brito, dono da banca onde ocorre o encontro

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Ação social da banca

A movimentação em torno das figurinhas também tem rendido resultados fora das páginas do álbum. Segundo Brito, o aumento no fluxo de pessoas ajuda a impulsionar as vendas da banca e ainda alimenta um projeto social criado durante os encontros.

Batizada de Figurinha Solidária, a iniciativa arrecada cromos que sobram após a conclusão das coleções. O material é reunido e doado para crianças atendidas por projetos sociais.

“A última ação foi para a Casa do Ismael. Neste ano, a gente deve ajudar um projeto da Ceilândia”, explicou.

Enquanto alguns procuram as últimas figurinhas para completar o álbum, outros já pensam no destino dos cromos repetidos. Em comum, todos ajudam a manter viva uma tradição que, décadas depois, continua mobilizando famílias inteiras em Brasília.

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