“Fatalidade”, diz diretor da PCDF sobre assassinato de PM por agente

Robson Cândido foi ao enterro do primeiro-tenente morto por um policial civil na madrugada de segunda-feira em uma casa de shows do DF

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 17/04/2019 6:45

O diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Robson Cândido, considerou o homicídio de um policial militar por um agente da PCDF uma “fatalidade” para as duas corporações. Cândido comentou que, de acordo com as informações colhidas por ele até o momento, o autor dos disparos não sabia que a vítima era oficial da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

“Aconteceu uma fatalidade entre duas instituições. Logicamente, ninguém sabia que os dois eram policiais naquele momento. Não tomei conhecimento de nenhum fato nesse sentido”, disse ao Metrópoles. Ele esteve presente, nesta terça-feira (16/04/19), no enterro do primeiro-tenente da PMDF Herison Oliveira Bezerra, 38 anos, morto após desentendimento na casa de shows Barril 66.

“É lamentável. Estive lá para solidarizar com a família e com a Polícia Militar”, contou. “Quero demonstrar que, independentemente do que aconteceu, continuamos caminhando juntos para defender a sociedade do mal maior, que é a criminalidade”, argumentou.

Acusado de cometer o crime na madrugada de segunda (15/04/19), o policial civil Péricles Marques Portela Júnior, 39, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela juíza Flávia Pinheiro Brandão Oliveira, do Tribunal do Júri de Águas Claras.

Após ser detido, foi levado para a 21ª DP e depois encaminhado à Corregedoria da corporação. Segundo a PCDF, Péricles foi autuado em flagrante por homicídio e lesão corporal.

Medidas
Cândido comentou que o tema porte de arma durante a folga será discutido nos cursos de formação e progressão na Academia de Polícia. “A maioria dos incidentes é durante a folga. Estamos sensíveis e revendo os protocolos nesse sentido.”

O objetivo, segundo o diretor-geral, é alertar por meio de conteúdo pedagógico sobre o uso da arma em situações que possam causar prejuízo a terceiros. “Um policial pode andar armado 24 horas, não tem como dizer para não poder”, ponderou.

A conduta é amparada pela Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, o Estatuto do Desarmamento. O artigo 6º da norma diz que os integrantes dos órgãos policiais “terão direito de portar arma de fogo de propriedade particular ou fornecida pela respectiva corporação, ou instituição, mesmo fora de serviço”.

No entanto, recomendação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) diz que os agentes de segurança, antes de entrarem em estabelecimentos armados, precisam assinar um termo de responsabilidade.

Após a repercussão do assassinato do PM, a Secretaria de Segurança Pública informou que pretende se reunir com o MP para buscar alternativas relacionadas ao porte de armas de policiais em ambientes fechados, com aglomerações de pessoas e consumo de bebidas.

O crime
Um esbarrão teria motivado os disparos que tiraram a vida do oficial da PMDF. Ao Metrópoles, a cunhada do militar contou a versão dada pela companheira do PM, que estava no local. “Segundo o que minha irmã me falou, o Herison esbarrou nele. O agente ficou revoltado e atirou”, contou Liry Rabello.

Outras testemunhas relataram que o agente mexeu com a mulher do militar. O tenente teria flagrado e repreendido a atitude do policial, dito que ela estava acompanhada e pedido para o homem respeitá-la.

O oficial, que era lotado no 10º Batalhão de Polícia Militar (Ceilândia), levou três tiros – dois no tórax e um no abdômen. Ele chegou a ser levado ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT), mas não resistiu aos ferimentos. Morreu por volta das 4h na unidade de saúde.

Câmeras de segurança da boate mostram o momento dos disparos. Nas imagens, é possível ver o policial militar passando em frente ao agente. Eles se esbarram, o policial civil saca a arma e atira. O PM chega a pegar a pistola, mas é alvejado antes.

Os disparos foram feitos por uma arma calibre .40. A namorada do PM quase foi atingida. Nas imagens flagradas pelas câmeras de segurança, ela aparece tentando socorrer a vítima.

Chamados ao local, bombeiros informaram que o tenente foi levado inconsciente e com hemorragia grave ao HRT, onde acabou falecendo. A corporação disse, ainda, que a outra vítima – identificada como Andressani de Oliveira Sales, 39 – levou um tiro de raspão na coxa.

Herison entrou na corporação em 2012 e concluiu o Curso de Formação de Oficiais três anos depois. Ainda segundo a PMDF, o tenente foi homenageado na Câmara dos Deputados, em 14 de março de 2019, por ter apreendido mais de 50 armas de fogo e recuperado 20 veículos, produtos de roubos e furtos, em seis anos de profissão.

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