Farmácia erra e dá remédio de TDAH em vez de vitamina para criança
A farmácia foi condenada pela Justiça a pagar indenização para a criança, que apresentou sintomas severos após o uso do remédio incorreto
atualizado
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Uma farmácia de manipulação de Brasília foi condenada a indenizar uma família após entregar, de forma errônea, medicamento que afetou a integridade física e saúde de uma criança que tem menos de 6 anos. A empresa foi condenada a pagar R$ 30 mil de indenização, sendo R$ 15 mil para a criança e R$ 7,5 mil a cada um dos pais.
A decisão é da 7ª Vara Cível de Brasília do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que reconheceu a falha na prestação de serviço. De acordo com o processo, os pais encomendaram a manipulação de vitamina B12 para o filho, mas receberam Atomoxetina, medicação indicada para o tratamento de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e destinada apenas para pacientes com idade superior a 6 anos.
No decorrer do processo, o pediatra da família atestou a gravidade do uso incorreto do medicamento, confirmando a contraindicação e que a dosagem ministrada era cinco vezes superior à indicada para o uso pediátrico.
O menor apresentou sintomas intensos e preocupantes, como perda total do apetite, perda de peso, recusa de ingestão líquida, desidratação, irritabilidade, insônia e distúrbios do sono, exigindo acompanhamento médico.
Após três dias do uso da medicação, a mãe da criança foi informada pela própria farmácia de que houve troca do medicamento. Mas isso não evitou o resultado dos sintomas previamente ditos, que chegaram a persistir nas semanas seguintes mesmo após à suspensão da medicação.
Na decisão, a magistrada destaca que “não há dúvidas sobre a falha dos serviços” e que a troca de mensagens entre os responsáveis e a ré “evidenciam a confissão do erro e a preocupação manifestada pelo estabelecimento”.
“A situação vivenciada extrapola o mero aborrecimento cotidiano, configurando violação à dignidade da pessoa humana e aos direitos da personalidade, especialmente à saúde e à integridade física da criança, valores tutelados pela Constituição Federal”, afirmou em sentença.
Dessa forma, a ré foi condenada numa indenização total de R$ 30 mil a família a título de danos morais. Ainda cabe recurso da sentença.
Em nota ao Metrópoles, a empresa reiterou que houve um erro na entrega do medicamento e que o pai da criança pegou o produto errado que estava sobre o balcão. A farmácia afirmou que após o episódio reforçou os protocolos de entrega e conferência de produtos.
Nota de Esclarecimento da Farmácia de Manipulação
Desde o primeiro momento, acompanhamos de perto o caso e fomos nós que entramos em contato para avisar os pais sobre o ocorrido imediatamente, assim que identificado. Estivemos totalmente comprometidos com a saúde da criança, oferecendo todo o suporte necessário, acompanhamento médico e hospitalar. Graças a Deus, a criança está bem, com plena saúde, e nada de grave aconteceu.
Assumimos o erro na entrega, mas é importante esclarecer que não houve erro na manipulação do medicamento. O produto foi manipulado corretamente, seguindo todos os padrões de qualidade e segurança. O equívoco aconteceu apenas no momento da entrega.
O pai que foi buscar o medicamento chegou apressado, informou que estava com pressa e acabou levando o produto errado. A coincidência é que o nome do paciente da receita era o mesmo nome do pai de outra criança que também havia feito um pedido naquele mesmo período, o que gerou a confusão. O medicamento entregue estava com o nome correto da outra paciente, uma menina, com outra posologia e tratamento, tudo claramente descrito no rótulo.
Reconhecemos nossa falha e assumimos integralmente a responsabilidade. Ainda assim, acreditamos que esse caso sirva de aprendizado para todos: é fundamental que pais e responsáveis sempre confiram o nome e as informações do rótulo antes de administrar qualquer medicamento a uma criança, independentemente da farmácia. Situações assim podem acontecer até em drogarias comuns, e a conferência é uma medida de segurança essencial.
Inicialmente, optamos por não apresentar defesa judicial, porque entendemos que o mais importante naquele momento era olhar para dentro, reconhecer o que precisava ser aprimorado e transformar o ocorrido em aprendizado real. Reestruturamos todos os nossos procedimentos, criamos novas etapas de conferência e hoje possuímos protocolos ainda mais rigorosos para garantir que uma situação como essa nunca mais se repita.
Somos uma empresa séria, feita de pessoas que se importam de verdade. Aprendemos com esse episódio e saímos dele ainda mais comprometidos com a ética, a transparência e o cuidado com cada paciente. Quem faz uma manipulação conosco hoje pode ter a certeza de que está recebendo um produto ainda mais seguro e controlado do que nunca.
Seguiremos trabalhando com humildade, responsabilidade e respeito.
