Família perde tudo em incêndio, recomeça das cinzas e reabre salão
Em 30 de junho, o fogo destruiu a casa e o local de trabalho de Leda Maria dos Santos. Apesar do abalo, ela conseguiu dar a volta por cima
atualizado
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“Eu não podia acreditar que cinco anos de luta viraram cinzas em poucos minutos”. A frase é da cabeleireira Leda Maria dos Santos, 40 anos. Ela teve a casa e o seu salão de beleza completamente destruídos durante um incêndio no Conjunto H da QE 15 do Guará II, no último dia 30 de junho.
O fogo teria começado em uma oficina de estofados ao lado da residência de Leda e se alastrou. À época, a Subsecretaria da Defesa Civil do Distrito Federal interditou as edificações. A família perdeu tudo, saiu do local apenas com a roupa do corpo e ficou desabrigada. A tragédia, no entanto, não abalou a fé da cabeleireira.
“Trabalho desde os 12 anos. Naquele momento, eu me vi sem nada e pensei: ‘Preciso virar uma águia, vou voar agora’. Tinha que dar a volta por cima”, conta.
Porém, antes de recomeçar, ela confessa ter entrado em desespero e chegado a duvidar da capacidade de voltar a ter uma vida normal. “Ainda hoje, quando vou dormir, lembro a cena do fogo entrando na minha casa”. Na última segunda-feira (23/7), menos de um mês após o incêndio, Leda e o marido, o autônomo Gilberto Soares Oliveira, 46 anos, conseguiram alugar um novo espaço para morar com a filha, Luana, 5, e reabrir o salão de onde tiram o sustento da família.
Não sabemos nem por onde começar a agradecer. O apoio que recebemos de vizinhos, amigos e familiares foi muito importante. Nós nos sentimos fortalecidos. A todos que doaram roupas, móveis, eletrodomésticos ou até mesmo apareceram só para me abraçar, eu agradeço. Se aquelas pessoas achavam que o gesto não significaria nada, marcou a minha vida. Além da ajuda material, eu precisava de apoio emocional
Leda Maria dos Santos, cabeleireira
Veja as fotos do novo salão da família:
Susto e perda
Quando as labaredas invadiram sua loja e seu lar, Leda só teve tempo de preocupar-se com a integridade da família. Por sorte, ninguém se feriu gravemente no incidente, mas, passado o susto, a realidade cruel: camas, móveis, roupas, objetos de trabalho do salão de beleza, produtos, alimentos, geladeira, fogão e até mesmo o telhado da casa dela haviam virado cinzas. No mesmo dia do ocorrido, a vizinhança iniciou uma campanha de ajuda que desencadeou uma enorme onda de solidariedade.
A maioria das doações veio de pessoas que Gilberto nem conhecia. “Imaginávamos receber ajuda, mas não sabia a proporção que iria tomar. Minha eterna gratidão a todo mundo. Essa é uma corrente do bem maravilhosa e só tenho a agradecer a quem ajudou emocionalmente, com oração ou doação”, declara.
Enquanto recebia ajuda, a família ficou abrigada por 20 dias na residência de uma cliente, também no Guará II. “Vê-los recomeçar me traz a mesma sensação de recomeço, de coisas boas. Ver pessoas tão resilientes só nos ajuda e nos move. Ter podido ajudar essa família me mostrou algo que já estava perdido em mim: a crença no ser humano”, comenta a servidora pública que recebeu os três em sua casa, Cibele Castro.
Ela acrescenta ainda que, além da ajuda e das doações, o mais importante foi o fortalecimento da amizade. “Com tantos abraços e tantas bênçãos, eu tinha certeza que eles iam recomeçar rápido, mas me surpreendeu o quão rápido foi. Torço muito por eles e pelos demais que também foram atingidos. Sou grata por ter participado desse recomeço e ganhado grandes amigos para a vida.”
Alegria como antídoto
A tristeza ficou para trás. Leda e Gilberto agora celebram o retorno do salão de beleza. O estabelecimento funciona a poucos metros de onde aconteceu o incêndio. O novo endereço, no Conjunto A da QE 15, ainda em construção, foi inaugurado com diversas promoções.
Estamos retomando a nossa rotina. Fui chamada para trabalhar em diversos salões, mas preciso continuar com o meu sonho, meu próprio negócio. Essa é uma forma de agradecer tudo o que fizeram por nós. Além disso, precisamos pôr a mão na massa para pagar as contas do mês. A única reserva que tínhamos naquele dia, cerca de R$ 7 mil em espécie, também virou cinza. A vida está recomeçando do zero e só vamos olhar para frente.
Leda Maria dos Santos
Com a ajuda do sogro, o aposentado Jorge Raimundo dos Santos, 65 anos, Gilberto está “arrumando a casa”. “Ainda precisamos de materiais para construir cobertura onde fica o salão, na área externa. Recebemos alguns materiais de obra, mas ainda precisamos de areia, telhas e o blindex para fechar o local. É um trabalho de formiguinha. Aos poucos, vamos conseguindo restabelecer o nosso dia a dia”, afirma Gilberto.
Quem tiver interesse em conhecer o novo salão da família pode entrar em contato por meio do seguinte número de telefone: (61) 98293-8056.
Relembre o caso
No último dia 30 de junho, o Corpo de Bombeiros foi acionado às 6h15. Ao todo, foram utilizados 35 militares e oito carros de combate a incêndio. Pelo menos cinco pessoas foram atendidas pelos bombeiros e por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Gilberto Soares teve uma fratura no braço direito e precisou ser transportado ao Instituto Hospital de Base (IHB).
Ainda de acordo com a corporação, as chamas chegaram a 10 metros de altura. Foram utilizados mais de 15 mil litros de água e espuma para o combate. A operação para controlar as labaredas durou cerca de uma hora e meia. O laudo sobre as causas do incêndio ainda não foi concluído.
Veja o depoimento de Leda à época do incêndio:


































