Expotchê 2021: MP investiga suspeitas de irregularidades em contrato
MPDFT, com apoio da PCDF, investiga suspeita de uso indevido de dinheiro público para favorecimento de empresa na edição de 2021 da Expotchê

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta terça-feira (12/11), a Operação Transpasse, para investigar o suposto uso indevido de dinheiro público proveniente de emenda parlamentar e suspeitas de favorecimento a uma empresa na realização da 28ª Expotchê, em 2021.
O Instituto de Desenvolvimento Humano, Empreendedorismo, Inovação e Assistência Social (Idheias Brasil) foi contratado pela Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur) com verbas destinadas pela Câmara Legislativa (CLDF), segundo as investigações. O Metrópoles apurou que o alvo da operação na Casa é o então diretor legislativo. A reportagem tenta contato com a defesa dele.
Ainda segundo o MPDFT, o Idheias Brasil – contratado de forma simplificada, sem licitação, por meio de termo de fomento, pois se trata de organização da sociedade civil (OSC) – receberia os recursos provenientes de emendas parlamentares e os repassaria aos organizadores do evento, por meio de empresas “testa de ferro”.

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Ver todasAs informações são apuradas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor). Até o momento, não há suspeita de envolvimento de deputados distritais no esquema ilícito.
As equipes cumpriram 21 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 6ª Vara Criminal de Brasília (DF), na Câmara Legislativa (CLDF), na Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur) e em Goiânia (GO). Por meio de nota, a Setur informou que exonerou o servidor investigado (leia no fim da reportagem).
Terceirização
A Operação Transpasse foi possível por meio do compartilhamento de provas da Operação Tenebris, deflagrada em 2022, e admitida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em fevereiro de 2022, a parceira firmada entre a Setur e a OSC entrou na mira do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que apurou supostas irregularidades e possível afronta aos princípios da legalidade, moralidade, economicidade, eficiência e impessoalidade.
As investigações apontam que o Instituto Idheias Brasil apresentou um projeto para realizar a Expotchê a fim de obter ganhos ilícitos com o uso de dinheiro público. A parceria para o evento se deu entre a Setur e a OSC, que teria atuado como intermediária na contratação de empresa privada que promoveu a feira voltada à cultura gaúcha.
Após Brasília Iluminada, TCDF apura contrato entre Setur e Idheias
Os R$ 1.099.999,24 em recursos para seleção da OSC responsável pelo evento partiram de emendas parlamentares, e o termo de fomento para seleção da organização foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) em 8 de novembro de 2021.
Embora o Idheias se apresentasse como idealizador do projeto, o requerimento com pedido de apoio enviado à CLDF partiu da Rome Eventos, nome fantasia da sociedade empresária Rome Feiras e Promoções Ltda. Os materiais publicitários sobre a Expotchê 2021 foram, inclusive, produzidos com atribuição do evento à empresa.
A suposta prática de terceirização promovida pelo Idheias Brasil havia sido identificada por promotores do MPDFT, a partir do termo de fomento firmado entre a Setur e o instituto para a realização do Brasília Iluminada 2020.
Diante das suspeitas de crimes contra a administração pública, o Ministério Público tentou descobrir o motivo da indicação, sem respaldo legal e contratual, da Rome Eventos como realizadora da 28ª Expotchê.
Posicionamentos
Leia nota enviada pela Setur sobre a operação:
“A Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) informa que as investigações da Operação Transpasse, deflagrada na manhã de hoje (12/11), referem-se à uma fiscalização objeto de processo de fomento firmado em 2021.
A Setur-DF informa, que na gestão iniciada em 2023 estão sendo implementados programas de controle voltados à fiscalização e capacitação dos servidores, com o objetivo de tornar ainda mais rigorosa a fiscalização dos fomentos, promovendo uma gestão austera, rigorosa e precisa na fiscalização dos recursos públicos.
O servidor mencionado na investigação já foi exonerado e substituído.
Os processos conduzidos pelo servidor serão objeto de averiguação por meio de sindicância e de tomada de contas especial de modo que sejam apurados eventuais prejuízos aos cofres do GDF.
A pasta está empenhada em concluir todas as prestações de contas das gestões de Cristiano Araújo e Vanessa Mendonça dentro dos prazos estabelecidos.
A Setur-DF vem fortalecendo seu quadro por meio da disponibilização de servidores efetivos pela Secretaria de Economia, que estão contribuindo para a gestão, atuando em comissões.
A Setur-DF também informa que está colaborando plenamente com as investigações e encontra se à disposição para promover todos os esclarecimentos que forem necessários.”
Leia nota enviada pela CLDF sobre a operação:
“A Câmara Legislativa do Distrito Federal informa que tomou conhecimento, na manhã desta terça-feira (12/11), da Operação Transpasse, realizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, com apoio da Polícia Civil do Distrito Federal.
A Casa prestou e prestará total apoio às investigações, fornecendo todos os esclarecimentos necessários. A operação ainda está em fase de apuração e não há qualquer parlamentar da Casa investigado.
Eventuais desdobramentos ou irregularidades levantados pelas investigações serão apurados pela Casa, tão logo sejam comunicados pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, com respeito ao devido processo e à observância aos princípios da ampla defesa e do contraditório.
Por fim, vale registrar que a Câmara Legislativa do Distrito Federal foi considerada o órgão legislativo mais transparente do Brasil, em reconhecimento ao trabalho da Casa para disponibilizar informações de interesse público à população.”
Colaboraram Jéssica Eufrásio, Isadora Teixeira e Jéssica Ribeiro







