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Distrito Federal

Exame que desvendou assassinato de empresário foi desenvolvido no DF

Teste de DNA feito a partir da cartilagem do corpo de Gerson Macedo, 65 anos, foi a peça que faltava para elucidar morte brutal

24/07/2017 20:26, atualizado 24/07/2017 21:08
Daniel Ferreira/Metrópoles
Exame que desvendou assassinato de empresário foi desenvolvido no DF

Nos moldes de CSI, série de investigação criminal, um assassinato com requintes de crueldade foi desvendado no Distrito Federal graças a um exame de cartilagem da vítima. Em apenas 30 horas, a equipe do Instituto de Pesquisa e DNA Forense da Polícia Civil do DF encontrou a peça que faltava no quebra-cabeça para elucidar o crime brutal que tirou a vida do empresário Gerson Macedo, 65 anos.

O homem desapareceu em janeiro deste ano após sair para encontrar seus algozes. Não voltou mais para casa, no Riacho Fundo. Durante seis meses, a família ficou sem respostas. Até que um corpo foi encontrado em uma cisterna de Luziânia, em Goiás.

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O cadáver foi trazido para Brasília. É aí que entra o trabalho da equipe do Instituto de Pesquisa e DNA Forense, comandada pelo médico Samuel Teixeira Gomes Ferreira. Como o corpo estava a 20 metros de profundidade e em um ambiente úmido, parte dele foi preservada, o que possibilitou confronto da cartilagem da vítima com o material genético do filho e da esposa de Gerson.

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Se houvesse somente o esqueleto, o exame demoraria no mínimo 30 dias. O DF é pioneiro na técnica de extração de DNA a partir de cartilagem. O método começou a ser desenvolvido em 2006. E desde então, foi usado para identificação de 45 corpos. Somente no ano passado, ajudou a desvendar a identidade de oito cadáveres.

O crime
Gerson foi morto com quatro tiros. Os assassinos carregaram seu corpo até a cisterna e ainda jogaram uma tora em cima. Ele já tinha escapado de uma emboscada no Riacho Fundo, também elaborada pelos acusados: em dois carros, eles cercaram o homem, que foi salvo graças a uma viatura da PM que passava pelo local na momento.

O empresário se envolveu com os seus assassinos durante transações imobiliárias. A mais recente foi referente a aquisição de cinco quitinetes pela vítima, ao custo de R$ 350 mil. Só que os acusados não eram os verdadeiros donos dos imóveis.

O crime começou a ser desvendado a partir do assassinato de um deles, Erinaldo Soeiro, ou Fernando Cadeirante. Ele foi morto pelos próprios comparsas. Ao investigar o homicídio, a polícia goiana interrogou a namorada da vítima e uma revelação feita pela mulher chamou atenção dos policiais: ela disse que o carro de Fernando Cadeirante fedia muito.

O corpo de Gerson foi transportado para a cisterna no C4 Pallas de Fernando Cadeirante. E foi jogado no buraco, localizado a apenas 20 metros da casa do suspeito. Após o corpo ter sido encontrado e com a prisão do outro acusado do crime, Jucélio Freire da Costa, 33, no dia 14 de julho, a peça encaixada nessa trama criminosa foi o exame na cartilagem.

É extremamente gratificante dar uma resposta para a sociedade e, principalmente, para a família, pois coloca um ponto final na dor deles. Ao mesmo tempo, foi um trabalho desafiante e que confirma que a nossa tecnologia é diferenciada e de ponta

Samuel Teixeira Gomes Ferreira, médico do Instituto de Pesquisa e DNA Forense

Lanchonete no Elefante Branco
Gerson tinha uma lanchonete no colégio Elefante Branco, na 907 Sul, e trabalhava com compra e venda de imóveis. No dia em que saiu para encontrar os estelionatários deixou um bilhete para uma funcionária dizendo que, se não voltasse, eles seriam os culpados.

A polícia ainda procura mais um suspeito do crime: Alziro Zarur. O delegado Christian Alvim, da 29ª DP (Riacho Fundo), garante que o exame do Instituto de Pesquisa e DNA foi crucial para manter Jucélio preso preventivamente. “Ele dizia que nunca íamos encontrar o corpo de Gerson”, ressaltou o investigador.