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A Justiça Federal aponta desvio de R$ 900 milhões na reforma do Mané Garrincha. Na decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, que resultou na prisão de 10 pessoas, o esquema é tratado como “uma verdadeira sangria aos cofres públicos” apenas na obra da arena, cujo custo total foi de R$ 1,5 bilhão, o mais alto de todo o país.

De acordo com a Justiça, há fortes indícios de materialidade de crimes como associação criminosa, peculato, fraude à licitação e corrupção de funcionários da Terracap, do GDF e dos ex-governadores Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR), presos nesta terça-feira (23/5).

Além disso, são apontados crimes de corrupção por parte de dirigentes da Andrade Gutierrez e Via Engenharia, as construtoras que ficaram à frente da reforma do estádio, além de outros delitos ainda em apuração, como lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Na investigação, a PF chama atenção para o fato de que os valores da propina não eram geralmente repassados via bancária. “Eram pagamentos em espécie aos atravessadores e até mesmo a beneficiários diretamente”, ressalta o magistrado.

Os detalhes da trama criminosa foram dados à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal pelos diretores da Andrade Gutierrez Flávio Gomes Machado Filho, Clóvis Renato Numa Peixoto Primo e Rogério Nora de Sá e, principalmente, pelos dirigentes da mesma empreiteira Rodrigo Leite Vieira e Carlos José de Souza.

O prejuízo apontado pela PF na obra do estádio foi de R$ 1,3 bilhão tanto à Terracap quanto à União, que detém 49% das ações da empresa pública do DF. A conclusão consta no inquérito da Polícia Federal.