MPGO denuncia mulher acusada de encomendar assassinato de marido
Motivação do crime teria sido um seguro de vida R$ 1 milhão. Ela prometeu recompensa de R$ 50 mil para dois homens assassinarem a vítima

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) aceitou a denúncia do Ministério Público (MPGO) contra três pessoas acusadas de matar o biomédico e empresário Aurélio Campos de Oliveira (foto em destaque). A morte aconteceu no dia 30 de abril deste ano, em Goiatuba (GO) e, segundo o MP, foi encomendada pela esposa da vítima.
A denúncia foi oferecida no dia 2 de outubro contra Andreia Moreira Cardoso, esposa de Aurélio, e os dois contratados para cometer o homicídio, Eduardo Borges de Aquino e Wander Rodrigues Macedo. Segundo o MPGO, a morte foi praticada por motivo torpe, com o objetivo de que a companheira conseguisse utilizar o seguro de vida de R$ 1 milhão feito no nome da vítima, tendo Andreia como única beneficiária.
A mulher teria, ainda, prometido uma recompensa de R$ 50 mil aos outros dois homens para praticarem o crime. O Ministério Público também apontou emprego de meio cruel e de recurso que tornou impossível a defesa da vítima.
Além do homicídio qualificado, os três devem responder por ocultação de cadáver e fraude processual por terem alterado o local do crime para induzir a erro peritos e a autoridade judicial. O órgão afirmou também que a ação foi organizada com divisão de tarefas entre os acusados e uma quarta pessoa, conhecida como Pablo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO MPGO solicitou que os três se pronunciem para que sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri, e a fixação de valor mínimo de R$ 500 mil para reparação dos danos causados pela infração.
Relembre o crime
Uma mulher de 47 anos foi presa no dia 28 de agosto pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), suspeita de planejar a morte do próprio marido, o biomédico e empresário Aurélio Campos de Oliveira, em Goiatuba (GO). Segundo as investigações, a motivação seria um seguro de vida de R$ 1 milhão, contratado cerca de quatro meses antes da morte e que tinha a mulher como única beneficiária.
Além dela, dois homens, de 27 e 30 anos, foram presos suspeitos de participação no homicídio. Os dois seriam antigos clientes da mulher, que atua como advogada, e teriam sido responsáveis pela execução do crime e pela ocultação do corpo.
Segundo a investigação, Aurélio foi morto no dia 30 de abril com pauladas no rosto e um disparo de espingarda. Antes da execução, ele teria recebido uma substância de uso veterinário com propriedades sedativas, com o objetivo de deixá-lo vulnerável.
Na noite do crime, por volta das 21h40, a esposa teria filmado o marido já deitado na cama, sob efeito da substância, e enviado o vídeo aos comparsas.
De acordo com a investigação, os homens teriam combinado receber R$ 50 mil, valor que seria dividido entre eles. O pagamento, porém, não teria sido realizado.
Pouco depois, a mulher deixou a residência com a filha, fruto de outro relacionamento, sob a justificativa de levá-la ao hospital. Enquanto ela estava fora, os dois homens teriam entrado na casa e matado Aurélio.
As investigações apontaram ainda que a mulher teria se encontrado anteriormente com os dois suspeitos e entregado luvas para que fossem utilizadas durante o homicídio.
Por volta das 0h40 do dia 1º de maio, a mulher retornou para casa, depois que o corpo já havia sido retirado do imóvel. Segundo a Polícia Civil, ela fotografou os vestígios deixados no quarto e em outros pontos da residência e encaminhou as imagens aos comparsas, com o objetivo de mostrar os rastros deixados pela execução.
O desaparecimento de Aurélio, contudo, só teria sido registrado por volta das 6h.
De acordo com a PCGO, o corpo de Aurélio foi localizado abandonado em uma estrada vicinal de difícil acesso, na zona rural de Goiatuba. O veículo utilizado para transportar a vítima também foi encontrado abandonado em uma área erma, em outro ponto.
Ainda segundo a polícia, um dos elementos apurados foi a contratação do seguro de vida de R$ 1 milhão, realizada aproximadamente quatro meses antes da morte. A esposa era a única beneficiária da apólice.
A polícia também apura o fato de a mulher ter convencido Aurélio a adotar sua filha adolescente pouco tempo antes do crime.
A Polícia Civil cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra os três investigados. Eles foram presos e encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça.
