Maior quilombo do mundo, na Chapada, comemora processo de tombamento
Iphan e Sebrae firmaram acordo para tombar o Quilombo Kalunga, que se divide em três municípios goianos. Confira reação da comunidade
atualizado
Compartilhar notícia

Os cerca de 8 mil quilombolas que vivem no território Kalunga, que ocupada 60% da Chapada dos Veadeiros, comemoraram a recente medida do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico (Iphan). Em março deste ano, o órgão iniciou o processo de tombamento do quilombo como patrimônio histórico nacional.
O Quilombo Kalunga é composto por 39 comunidades e está localizado entre as cidades goianas de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre. É autodeclarado o maior território quilombola do mundo, abrangendo uma área de cerca de 262 mil hectares. A principal comunidade é a do Engenho II, com cerca de 800 habitantes.
A luta dos Kalunga para reconhecimento do território é milenar. “Ser quilombola é o grande tesouro que nós temos. Mas para isso, precisamos preservar nossa identidade cultural, que está no nosso sangue. Sem cultura não somos nada”, destacou o líder comunitário Cirilo dos Santos Rosa, 71.
“Nossa função é preservar o território, preservar a cultura e o território. O meio ambiente precisa ser preservado para que possamos ter segurança, sejamos felizes. Nós vivemos do território, mas preservando ele”, completou.
Na região de Teresina de Goiás, por exemplo, está a Comunidade da Ema, onde existe um sítio arqueológico que conta parte da história do homem na América do Sul. Pinturas incrustadas nas rochas narram parte da rotina dos povos pré-históricos da região.
Por meio de hieróglifos, ou seja, de símbolos fixados nas pedras, as comunidades antigas, especialmente indígenas, deixaram sua comunicação para todas as gerações. Datações feitas por pesquisadores apontam que os símbolos foram feitos há 11 mil anos. Alguns acreditam que tratam-se de pontos cardeais (os desenhos batem com a rosa dos ventos). Outros falam que eram anotações sobre a melhor data do ano para iniciar a plantação e realizar a colheita.
O tombamento
O Iphan e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) firmaram, em 26 de março, um convênio de cooperação técnica e financeira para a declaração de tombamento do Quilombo Kalunga (GO).
O acordo selado entre Iphan e Sebrae terá vigência até 29 de maio de 2028. “Lá (no Quilombo Kalunga) está o Brasil que deu certo. Lá está o Brasil que queremos. O Brasil que reparte, que se responsabiliza pelos outros, que cuida dos outros”, declarou à época o então presidente do Iphan, Leandro Grass.










