Jovem detalha como reagiu a assalto em cachoeira: “Dei um mata-leão e consegui tomar a arma”

Praticante de artes marciais, jovem diz que agiu por instinto ao ver criminoso apontar arma para familiares: “Fui com sangue nos olhos”

atualizado

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1 de 1 jovem-coronhada-novo-gama - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A jovem que reagiu a uma tentativa de assalto na Cachoeira dos Segredos, no Novo Gama (GO), na quarta-feira (22/4) afirmou ao Metrópoles que agiu por instinto ao ver um dos criminosos apontar uma arma para a irmã e para a amiga. Segundo ela, o objetivo era apenas proteger as duas.

Ana Beatriz Oliveira, 21 anos, contou que não teve medo no momento da ação e que a reação foi motivada pelo desespero diante da ameaça. “Na hora não tive medo, fui com sangue nos olhos para proteger quem eu amo”.

“Quando eu vi ele apontando a arma para a minha irmã e para a Stephanie [amiga], eu pulei da pedra que eu estava. Naquele momento, eu não tinha certeza de nada, eu só queria defender elas”, relatou.

A jovem disse que só percebeu que a arma era falsa quando já estava próxima do suspeito. Foi nesse momento que decidiu imobilizá-lo.

“À medida que fui chegando perto, vi que a arma era falsa. Aí dei um mata-leão nele, consegui tomar a arma e joguei ele contra as pedras”, contou.

Durante a luta corporal, o segundo suspeito passou a agredi-la com coronhadas na cabeça. Mesmo ferida, ela afirma que resistiu. “Ele estava tentando fazer com que eu desmaiasse, mas eu não desmaiava. Só soltei quando levei a terceira coronhada”, disse.

Instinto e adrenalina

Praticante de Muay Thai e MMA há cerca de um ano e atleta de powerlifting, Ana acredita que o preparo físico contribuiu para que conseguisse reagir à situação. Ainda assim, ela afirma que a decisão foi tomada de forma automática.

“O efeito da adrenalina foi muito forte. Eu agi mais por instinto”, afirmou. A jovem sofreu ferimentos na cabeça e precisou levar oito pontos. Apesar da gravidade da situação, diz que se sente grata por nenhuma das três ter se ferido de forma mais grave.

“Eu sigo grata a Deus pelo pior não ter acontecido comigo e nem com as meninas”, disse.

Trauma após o crime

Mesmo após o susto, a jovem relata que ainda revive o episódio repetidamente e que a experiência deixou marcas emocionais.  A amiga Stephanie Dantas, 34, também relatou abalo psicológico após a tentativa de assalto. Segundo ela, as três receberam atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Novo Gama após a ocorrência.

Ela afirmou que teve crises de ansiedade após o episódio e precisou ser medicada. “A noite foi horrível, revivendo cada momento, com tudo aquilo voltando na memória sem parar”, disse.

Após a reação, os suspeitos fugiram pela mata. O simulacro utilizado no crime foi apreendido pela Polícia Militar de Goiás (PMGO), que segue investigando o caso.

Ana informou que voltou a prestar depoimento à polícia e que os agentes estão reunindo informações para identificar os autores. “Eles estão montando o quebra-cabeça para tentar achar os caras”, disse.

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