Feminicida de Itumbiara já havia sido preso por agredir a vítima

Identificado como Pedro da Costa Queiroz, o autor já havia sido preso por violência doméstica contra a vítima em 2024, segundo a PCGO

atualizado

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1 de 1 feminicidio-itumbiara-2 - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O homem que matou a ex-mulher a tiros em Itumbiara (GO), nesse sábado (14/12), foi identificado como Pedro da Costa Queiroz (foto em destaque). O autor ainda agrediu a enteada, de 15 anos, com uma coronhada, e tirou a própria vida logo após.

De acordo com a Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO), Pedro já havia sido preso em 2024 por violência doméstica contra a vítima.

Na ocasião, ele teria ido embriagado até a casa da ex-companheira e a agredido, chegando a segurá-la pelo pescoço. Contudo, ela conseguiu fugir e pedir socorro.

No dia 6 de fevereiro, a vítima conseguiu uma medida protetiva contra o autor, de acordo com o delegado Felipe Sala, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Itumbiara.

“Ela compareceu à delegacia nesse dia e, no próprio dia 6, a medida protetiva foi distribuída ao Judiciário e concedida por eles”, explicou.

Entenda o caso

  • Pedro da Costa Queiroz matou a ex-mulher a tiros, agrediu a filha da vítima, de 15 anos, e se matou logo depois, nesse sábado (14/2), em Itumbiara (GO);
  • Segundo o major Rafael Carmo, da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), o autor entrou na residência já atirando contra a mulher;
  • A filha da vítima tentou intervir e foi lesionada na cabeça, mas não corre qualquer tipo de risco;
  • Em nota, a PMGO informou que, quando a equipe da corporação chegou ao local, a vítima se encontrava sem sinais vitais. Os agentes tentaram reanimar o autor do crime, mas ele teve o óbito constatado no local;
  • Este é o segundo caso de violência contra a mulher em poucos dias na cidade, que não registrava um crime desse tipo havia três anos, segundo o delegado da Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) Ricardo Chueire.

Nas redes sociais, os advogados de Pedro, que o auxiliavam no caso dessa medida protetiva, fizeram uma publicação em seus perfis afirmando que passaram “várias orientações para ele, inclusive para se afastar da vítima e morar em outra residência”. O conselho foi dado na sexta-feira (13/12), um dia antes do crime.

“É uma pena, porque a gente aconselhou e conversou com ele. Nós não imaginávamos que ele fosse cometer isso, até porque ele mencionou que estava vivendo em harmonia com ela. Então, a gente se pauta com o que o cliente diz e hoje [14/2] ele, infelizmente, fez isso”, disse o advogado Fabricyo Dias.

Outra tragédia em meio ao luto

O feminicídio aconteceu horas depois do velório de Benício Araújo Machado, 8 anos, na casa do prefeito da cidade Dione Araújo, avô da vítima.

O menino e o seu irmão mais velho, Miguel Araújo Machado, 12 anos, foram baleados pelo próprio pai, Thales Machado, no condomínio em que a família morava, na madrugada de quinta-feira (12/2). O pai tirou a própria vida em seguida.


Violência vicária

  • Em carta póstuma, o então secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, atribuiu o crime contra os filhos a uma suposta traição da esposa e a uma crise no casamento.
  • Esse tipo de caso, quando a agressão ocorre contra os filhos para punir a mãe, chama-se violência vicária.
  • No fim do ano passado, o Brasil passou a reconhecer esses casos como uma forma de violência de gênero e grave violação de direitos humanos de crianças e adolescentes, em resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).
  • Segundo o texto, a violência vicária “constitui prática que perpetua e atualiza a violência contra mulheres-mães por meio da manipulação dos vínculos parentais”.

O caso é investigado pela PCGO. Em nota, a corporação informou que o caso é tratado como homicídio consumado e homicídio tentado seguidos de autoextermínio por parte do autor.

Até o momento, não há elementos que indiquem a participação de terceiros nem informações oficiais sobre a dinâmica do crime.

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