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A família de Raphaella Noviski, 16 anos, soube da tragédia por volta das 8h30 desta segunda-feira (6/11). Parentes receberam uma ligação da prima da vítima, que estudava na mesma classe dela, contando que a menina tinha sido assassinada dentro do Colégio Estadual 13 de Maio, em Alexânia (GO), cidade a 90km de Brasília.

Às 8h, seu algoz, Misael Pereira, 19, vizinho e ex-aluno do colégio, pulou o muro da instituição de ensino e procurou a adolescente, até que a encontrou na sala de aula. De máscara e capuz na cabeça, sacou o revólver calibre .32, comprado por R$ 2,3 mil, e disparou 11 tiros no rosto da vítima.

A família não conhecia Misael, que residia a duas ruas da vítima, em Novo Horizonte, bairro simples de Alexânia. “Nunca imaginei que ele morasse tão perto. Agora, espero que fique amarrado e pague pelo que fez”, afirmou a avó de Raphaella, a aposentada Antônia Afonso Pereira da Silva, que é cadeirante.

 

O avô materno, o carreteiro José Pereira da Silva, contou que criou Raphaella desde quando a menina nasceu. “Eu e a avó dela a buscamos na maternidade e já a trouxemos direto para casa”, afirmou o idoso. Raphaella morava até hoje na casa dos avós, com a irmã, Isabella Romano. A mãe das meninas mora em Brasília.

 

 

A adolescente, que cursava o 9º ano do ensino fundamental, era considerada uma menina meiga, estudiosa e inteligente. Segundo os familiares, sonhava em ser professora.

Ameaça
Bonita, com cabelos pretos longos, a jovem atraiu a atenção de Misael, mas ele não era correspondido. O rapaz mandava mensagens e chegou a ameaçá-la. “Está preparada?”, perguntou, em um dos textos.

“Ela havia comentado que o Misael tentava adicioná-la no Facebook com frequência, mas minha irmã sempre recusava”, relatou Isabella, ao mostrar o celular de Raphaella quebrado (foto em destaque). “Ela disse que nem ia em Caldas Novas com a gente em fevereiro porque precisava economizar para comprar outro aparelho”, conta a jovem.

 

“Último suspiro”
Taisa Romano, tia de Raphaella, contou que a menina jamais havia namorado. “Não tinha hábito de sair. Só ia à escola e à igreja (Assembleia de Deus Madureira)”, descreve. Taisa diz que foi até o colégio assim que recebeu a notícia do assassinato. “Eu a peguei nos braços e ela deu o último suspiro.”

A estudante Thaissa Pascoal Rodrigues, 15, estava no colégio na hora do crime que estarreceu Alexânia. “Parecia filme de terror. Foi desesperador”, destacou.

Segundo outra colega, quando o acusado chegou, Raphaella não gritou. “Ela se levantou e falou: ‘O sangue de Jesus tem poder’. Logo depois, se sentou. O Misael deu a volta e atirou”, contou a estudante do 6º ano do ensino fundamental, que não quis se identificar.

Para os familiares de Raphaella, Misael planejou o crime. “Ele fez tudo de caso pensado. Se não fosse na escola, seria aqui na nossa casa. Uma amiga minha pegou ônibus, por volta das 5h, e o viu rondando a casa”, afirmou a irmã da vítima.

Preso em flagrante, chegou a contar que quis presentear a menina, mas ela não teria aceitado. O rapaz vai responder por feminicídio e, se condenado, pode pegar até 30 anos de cadeia.

Em depoimento à delegada Rafaela Azzi, Misael disse que deu 11 tiros no rosto de Raphaella para que ela “não sentisse dor e morresse rápido“.

Sepultamento
A família espera que o corpo da menina seja liberado até as 18h desta segunda pelo Instituto Médico Legal (IML) de Anápolis (GO). Raphaella será enterrada em Alexânia.

 

 

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